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Presidente surpreendeu ao anunciar queda que pode chegar a 32% para indústrias e 18% para famílias

Jornal do BrasilCarolina MazziTamanho do Texto:+AAImprimir

Os acionistas da Eletrobras não gostaram, mas especialistas e representantes do setor industrialaprovaram a medida da presidente Dilma Roussef de reduzir ainda mais o valor da energia elétrica. As ações da empresa brasileira fecharam o pregão desta quinta (24) em queda acentuada de 7,53%. O temor de que a estatal termine o ano com lucro menor, ou até prejuízo, assustou os acionistas.

Durante pronunciamento na noite de quarta-feira (23), a presidente surpreendeu ao anunciar uma queda na taxa de luz que pode chegar a 32% para as indústrias e 18% para as famílias já a partir desta quinta (24). Quando, em setembro passado a presidente anunciou uma redução média de 20,2%, a promessa foi colocada em xeque, até porque o nível dos reservatórios das hidrelétricas chegara ao nível mais baixo em 10 anos.

O principal objetivo da medida é aumentar os investimentos e a produtividade da indústria nacional. Pagando menos pela luz, os produtos ficam mais competitivos, dentro e fora do país. “Este é um dos objetivos do governo, mas não dá ainda para prever que eles vão acontecer, nem quando, nem como”, afirma o economista Gilberto Fraga, professor de Finanças do Ibmec.

Representantes do setor industrial, no entanto, agradecem. Em nota, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, aprovou a medida.“Beneficia todos os setores da sociedade e atinge diretamente o bolso de cada brasileiro. Todo mundo usa energia, todos os produtos precisam de energia para serem produzidos, todos os serviços consomem energia. Ao reduzir a conta de luz, o benefício é de todos,” ressaltou.

Na verdade, qualquer notícia que ajude o setor industrial será bem vinda, haja visto os dados referentes à produção que continuam a cair. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou pesquisa mostrando que o custo de produção da indústria brasileira cresceu 10,6% no terceiro trimestre do ano passado, comparado com o mesmo período de 2011.

O chamado Custo Brasil faz, por exemplo, o economista Fraga, mesmo considerando ainda incerto o cenário econômico, aprovar a medida. Mas, ele frisa também que existem outros problemas ainda a serem combatidos para que a indústria possa melhorar o seu desempenho.

“Para o conjunto da economia é uma boa medida. Ela não é totalmente efetiva no sentido de resolver as mazelas do Custo Brasil, que não se resumem só a isso, mas também gargalos de infra-estrutura e a falta de uma reforma tributária, problemas antigos do país”, analisou

Um efeito extra da medida pode surgir junto às famílias e beneficiar o crescimento da indústria. Com a renda menos comprometida, a tendência será de um aumento no consumo, o que acaba gerando demanda para a produção nacional. “É o que se espera, mas não há nada garantido”, explica o professor.

Descrédito persiste

O economista José Oreiro, professor da Universidade de Brasília (UnB), não se animou tanto com o anúncio. Para ele, a medida não deverá aumentar o nível de investimento da indústria na economia. Isto porque o Brasil não demonstra segurança energética para os próximos anos, o que deixa os produtores inseguros.

“No curto prazo é bom, porque vai aumentar a competitividade. Mas desde 1988 os governos vem reduzindo fortemente os investimentos em energia elétrica. Entre 1966 e 1988, a média de investimento ficou em 2% do PIB (Produto Interno Bruto) mas desde então, este número foi reduzido a 0,6%. Nós construíamos a frente da demanda antes, mas agora a folga é pequena. Por isso somos muito dependentes das chuvas” revelou.

Além disso, o nível de investimento e de produção só deverá aumentar mesmo com o fim da crise internacional, afirma Braga. “É o fator mais importante neste momento, na verdade. Mesmo se conseguíssemos num passe de mágica, resolver todos os problemas do Custo Brasil, mesmo assim, a indústria continuaria sofrendo, pois precisamos da demanda de outros países por nossos produtos”.

Combustível e inflação

A presidente Dilma Roussef se negou a comentar os rumores de que o preço do combustível deverão aumentar. Questionada hoje (24) por jornalistas, tangenciou: “Eu não falo sobre aumento de gasolina, eu falo de redução de tarifa de energia”. Embora não confirmado pela Petrobras ou por autoridades ligadas ao setor, os rumores ganham força a cada dia, como demonstra a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Na reunião da semana passada, o Copom projetou reajuste no preço da gasolina em torno de 5% para o acumulado deste ano. Na mesma época, o vice-presidente Michel Temer havia admitido que o governo estava avaliando a possibilidade do reajuste nos preços dos combustíveis.

Já o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Antônio Henrique Siqueira, confirmou a defasagem dos preços da gasolina em 7%, mas disse que “não havia decisão do governo” sobre o aumento de preços do produto. Os rumores já começam a impulsionar os papéis da Petrobras. Nesta quinta, as ações da estatal fecharam em alta de 0,45%.

O aumento nos preços do combustível acabam pressionando a inflação, já que os forte do transportes do Brasil é à base de combustível fóssil, gasolina e, principalmente, o diesel. “Com a diminuição do preço da energia, a tendência é que os preços gerais da economia caiam, já que se usa luz para tudo. Isso acabou abrindo esta brecha para o governo aumentar a gasolina, o que é justo, já que os preços estão defasados mesmo”, explicou.

“Mas bem que o governo poderia dar um pouquinho este sabor para a população, que vai pagar menos pela energia, pelo menos uns 2 meses, antes de aumentar a gasolina”, sugeriu.

 

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