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Economistas da UnB analisam desafios para o crescimento do PIB e dizem que medidas de incentivo devem beneficiar também os empresários
“Quero um pibão grandão”, disse a presidente Dilma Rousseff quando perguntada qual o presente que gostaria de ganhar em 2013. Para alcançar tal resultado, depois de um baixo crescimento em 2012 (cerca de 1,5%), o governo anunciou medidas que buscam estimular a renda e o consumo, como o aumento do salário mínimo para R$ 678 e novas reduções nas taxas de juros. Para os professores do Departamento de Economia da UnB, essas ações são importantes, mas é preciso também dar mais atenção aos outros atores sociais, principalmente as empresas.

“Essas medidas, embora sejam importantes para não deixar a economia parar, por si só não bastam. Nosso problema é estrutural. O que estamos percebendo é uma enorme desconfiança do empresariado em relação ao cenário que o Brasil e o mundo vão viver em 2013”, afirma o professor José Matias-Pereira. Maria Lourdes Mollo, da Associação Keynesiana Brasileira, destaca que há muito tempo a indústria brasileira cresce de forma lenta. “A situação da indústria que ficou problemática ao longo dos últimos anos, seja na geração de emprego, produto e renda. Isso se relaciona com a perda de competitividade em relação ao câmbio, mas agora é preciso uma política industrial deliberada. Uma política de inovação tecnológica para que possa sair dessa letargia”, diz a professora.

“O que falta é um estímulo de base mais permanente”, afirma José Carlos Oliveira. “O enfoque do governo é parcial. Para quem recebe, salário é renda, mas para quem paga, é custo. Precisamos investir em infraestrutura, ter energia confiável”, afirma o especialista. “Essas medidas anunciadas foram feitas em 2012 e não deram resultados”.

FIM DE UM CICLO – O professor Flávio Basílio tem uma visão diferente. Para ele, antes de tudo é preciso esperar que as ações atuais mostrem resultados antes de se pensar em outras mudanças. “Desde 2008, a economia vem passando por profundas transformações. A taxa real de juros cai de 7% para 1,7% em 2012. A redução da taxa média de juros bancária para pessoas físicas caiu 25%. Além disso, a gente percebe desoneração da folha de pagamento em vários setores, como a construção civil. Isso acaba mudando a estrutura da economia brasileira. Essas medidas ainda não entraram totalmente em vigor”, analisa. Ele acredita que é bastante possível que o Brasil chegue ao fim do ano com um crescimento em torno de 4%. “Acho que não é preciso fazer mais, é preciso dar tempo”.

Joaquim Pinto de Andrade, diretor do Departamento de Economia, vê o fim de um ciclo na economia brasileira. “Algumas medidas já estão fazendo a diferença. Estamos no final de um ciclo, os estoques das indústrias estão começando a cair, e isso pode significar aumento dos investimentos. Apesar da estagnação, o emprego não caiu, e isso não é ruim”, afirma. Para ele, isso indica que os empresários terão mais motivos para investir na produção em 2013, o que é uma boa notícia. Ainda assim, ele adverte que é preciso fazer mais pelas empresas. “Reduzir a carga tributária pode estimular os empresários, mas está faltando uma política estruturante, conjuntural”.

José Matias-Pereira acredita que as reformas que o Brasil precisa são as profundas, começando inclusive por mudanças no Ministério da Fazenda. “A equipe econômica já deu sinais de cansaço, é fundamental alguém que possa mexer nessas estruturas. Tem que ser alguém com capacidade enorme de articulação para envolver todos os atores econômicos”, afirma. “É preciso mudar o modelo econômico brasileiro. Adotar medidas macro e microeconômicas, que façam com que o país reencontre a trilha do crescimento. Os números dizem que esse caminho foi perdido”.

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