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Otimismo em relação a Obama e pessimismo para Grécia e Zona do Euro

Jornal do BrasilCarolina Mazzi *Tamanho do Texto:+AAImprimir

As bolsas de valores ao redor do mundo reagiram negativamente ao resultado das eleições presidenciais dos Estados Unidos e as incertezas na Europa. O Ibovespa fechou o pregão com perdas de 1,58%, acompanhando o ritmo internacional. O Dow Jones caiu 1,93% e o DAX30, da Alemanha, 1,96%.

O medo de que Obama não consiga resolver o abismo fiscal, já que o presidente continuará com um Congresso dividido, porém em vantagem para os republicanos, contribuiu para as acentuadas quedas.

O ex-ministro do Planejamento, João Paulo Reis Veloso, aprova a reeleição do democrata mas alerta que, com minoria no congresso, novos problemas realmente podem surgir.

“O partido republicano não entende que nós estamos diante de uma crise, que é global e até a China já foi atingida. Não é hora de ficar cortando gastos. O que tem que ser feito é uma boa regulação do sistema bancário, financeiro e do mercado de capitais. Mas não é contendo gastos, reduzindo despesas. Eles não aprenderam nada com a Grande Depressão dos anos 30″, analisa em entrevista exclusiva para o Jornal do Brasil.

Assim como o ex-ministro, o economista José Oreiro, professor da Universidade  de Brasília (UnB), acredita que o partido republicano precisa ser menos radical em suas propostas e tentar estimular a demanda doméstica do país. “A economia americana se tornou viciada em bolhas, ou seja, crédito, para gerar demanda e crescer”, explica.

O especialista, no entanto, acredita que Obama conseguirá enfrentar o abismo fiscal do país. “Acredito que ele vai combater, pois acho que os republicanos não serão tão radicais. A vitória do Obama foi muito boa também porque ele deve aprofundar as políticas que combatem a desigualdade social”.

Os dois concordam em pelo menos uma coisa: a rejeição aos republicanos. “Fundamentalistas e radicais” é a análise de Veloso.

Europa

Apesar da movimentação americana, foi o cenário europeu que chamou atenção nas bolsas: em meio a uma prolongada greve, os líderes gregos ainda buscam a aprovação das medidas de austeridade pelo parlamento para que continuem a receber ajuda das autoridades europeias.

A análise de Oreiro é catastrófica. “A saída da Grécia é inevitável e o futuro da zona é muito ruim”. Para ele, a política de austeridade imposta pela Alemanha prejudica o país e os resgastes do Banco Central Europeu (BCE) apenas “apagam incêndios”.

Veloso acrescenta que é fundamental que se estimule a produção e o investimento para a volta do crescimento no velho continente. “Tem que aprender as lições, toda a Europa está ruim, só tem uma ancora, a Alemanha. Então, o BCE tem que ir com calma, fazer as regulamentações, mas não fazer contensão de despesa”, afirma.

As medidas de austeridade pretendem diminuir os investimentos e aumentar os cortes de gastos públicos. Com isso, a demanda doméstica fica desestimulada, inibindo a produção e o consumo, afirmam os especialistas. Neste caminho, a Europa continuará “muito mal”, conclui Oreiro.

*carolina.mazzi@jb.com.br

 

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