Governo resgata R$ 28 bi. Fatia de prefixados sobe para 37,37% do total

BRASÍLIA A dívida pública federal alcançou R$ 1,867 trilhão em agosto, uma redução de 0,51%, ou R$ 9 bilhões, frente ao mês anterior. Foi a segunda queda do ano, informou ontem o Tesouro Nacional. Em julho, a dívida somou R$ 1,876 trilhão. Fernando Garrido, coordenador-geral de Operações da Dívida, explicou que o governo fez um resgate líquido de R$ 28,32 bilhões. Na prática, o Tesouro pagou mais empréstimos do que emitiu papéis. E as despesas com juros totalizaram R$ 18,79 bilhões.

A dívida interna recuou 0,53%, para R$ 1,778 trilhão. Já a externa cresceu 0,02%, para R$ 88,43 bilhões. O governo projeta que a dívida pública feche o ano entre R$ 1,95 trilhão e R$ 2,05 trilhões. Em 2011, subiu 10%, para R$ 1,86 trilhão.

Garrido destacou que, mês a mês, o governo tem melhorado a composição da dívida pública, que passa a ter custos menores e prazos mais longos de vencimento. Em agosto, a participação dos papéis prefixados passou de 35,86% para 37,37%. Já a fatia dos títulos que acompanham a inflação caiu de 34,98% para 33,35%.

José Luís Oreiro, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), lembrou que os prefixados dão maior previsibilidade às contas públicas:

– Quando a maioria é ligada à taxa de juros, isso reduz a eficácia da política monetária. Ao aumentar a Selic, os investidores ganham mais e podem consumir, pressionando a inflação. E aí o governo tem de elevar os juros de novo.

O Tesouro informou ainda que a participação dos estrangeiros no estoque da dívida atingiu recorde: 13,34%. Para Garrido, a elevação de 4% para 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) contribuiu. A taxação maior evita aplicações de curto prazo.

O programa de compra de títulos da dívida por pessoas físicas, o Tesouro Direto, ganhou 4,3 mil participantes em agosto, para o total de 313.919.

– Isso reforça a percepção de que o programa é um investimento seguro – disse Garrido. ( Cristiane Bonfanti )

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