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O modelo de política macroeconômica “mudou radicalmente” com as novas medidas tomadas pelo governo para aumentar a competitividade da indústria nacional, avalia Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas. Nakano participou ontem do 9º Fórum de Economia, promovido pela fundação.

“O problema é qual a capacidade de reação da indústria a esse conjunto novo de medidas. O industrial que se tornou importador de matérias-primas consegue voltar a ser industrial? Acho que vai demorar um tempo, mas tenho certeza que vamos conseguir”, disse Nakano, para quem as iniciativas do governo favorecem a retomada do crescimento econômico.

“Agora, todo mundo está descobrindo que sem indústria não vamos a lugar nenhum. Vamos para a Grécia, não para a Alemanha”, afirmou o economista, usando como exemplo a diferença entre a política industrial dos dois países europeus. Para Nakano, a mudança na direção da política econômica do governo foi motivada por questões pragmáticas, e não ideológicas, tendo como principal pano de fundo a crise mundial.

O professor José Luís Oreiro, do Departamento de Economia da Universidade de Brasília, se concentrou no problema cambial. “O câmbio é livre só nos discursos, mas sabemos que o Banco Central tem uma faixa de administração entre R$ 2 e R$ 2,10”, disse ele, rebatendo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, que, mais cedo, havia dito que o regime de câmbio no país é flutuante, mas o governo atua para evitar movimentos excessivos.

A mais importante mudança na política econômica do governo foi a redução da taxa básica de juros pelo BC, na avaliação do professor emérito da FGV Luiz Carlos Bresser-Pereira. A queda de cinco pontos percentuais da Selic desde agosto do ano passado, quando estava em 12,5% ao ano, foi um dos fatores que permitiram a melhora da taxa de câmbio, hoje em R$ 2 por dólar. Para o ex-ministro da Fazenda, o câmbio continua fortemente apreciado, mas deixou o terreno “absurdo” que estava, quando encostou em R$ 1,50.

Bresser-Pereira citou estudo do economista Nelson Marconi, da FGV, em parceria com Eliane Araújo, que estima que a taxa de câmbio de equilíbrio para o setor industrial – necessária para que a indústria seja competitiva, adotando tecnologia compatível com o nível mundial – esteja hoje próxima de R$ 2,70. Para Oreiro, a taxa de câmbio de equilíbrio para o Brasil seria hoje de R$ 2,66.

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