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Altas reservas cambiais freiam crise sem impulsionar o País
03 de agosto de 2012 08h37

 

Segundo especialistas, é preciso diminuir os custos da produção no Brasil para acelerar o crescimento. Foto: ShutterstockSegundo especialistas, é preciso diminuir os custos da produção no Brasil para acelerar o crescimento
Foto: Shutterstock

 
 

O Brasil conta hoje com reservas cambiais na ordem de 15% do PIB, de acordo com o Banco Central. Há dois grandes aspectos sobre os quais esse dinheiro garante estabilidade: a força da moeda nacional e a confiabilidade do Brasil frente aos investidores. Diferentemente do ocorrido em outros períodos de crise, o País está preparado para enfrentar as oscilações do mercado mundial. Contudo, há mais peças que precisam ser ajustadas para a locomotiva da economia brasileira arrancar de vez ao encontro de seu tão falado potencial de crescimento.

“Se houver um movimento de saida de capitais do País, motivado pelo pânico nos mercados financeiros internacionais, o Banco Central poderá intervir no mercado vendendo uma parte das divisas para atenuar o impacto sobre a taxa de cambio”, explica o professor de Economia da Universidade de Brasília José Luis Oreiro. O economista-chefe do Banco Votorantim, Leonardo Sapienza, diz que a manutenção das reservas brasileiras nesse nível elevado também é importante e está colaborando para manter baixo o risco Brasil, o que atrai investidores e ajuda a manter a crise longe, mas não é o suficiente para garantir que o Brasil siga crescendo tanto quanto potencialmente poderia. Ambos os especialistas não esperam grandes resultados do governo Dilma para os próximos anos. “A curto prazo e médio prazo, o quadro para o Brasil é de semi-estagnação”, afirma Oreiro.

Para o professor, essa lentidão no crescimento se deve à perda de competitividade da indústria de transformação. “O governo parte de um diagnóstico errado para esse problema, que é de que a desaceleração do crescimento deve-se a falta de demanda, quando na verdade o problema é falta de competitividade. Para enfrentar esse problema seria necessário, por um lado, um câmbio um pouco mais desvalorizado, em torno de R$ 2,20, mas também um investimento maior do governo em infra-estrutura para reduzir o custo Brasil e assim aumentar a competitividade da industria brasileira”, afirma.

A lenha da locomotiva nacional tem sido a flexibilização de alguns impostos e de taxas de juros, a liberação de crédito para a indústria por meio do BNDES e o aumento do poder aquisitivo do brasileiro, mas, para os especialistas, isso não é o bastante. “Acho que a economia brasileira vai apresentar taxas de crescimento mais importantes no próximo trimestre, mas o ambiente é bastante incerto, principalmente com essas incertezas na Europa e mesmo na economia chinesa. O Brasil tem se tornado uma economia mais global, depende do que vai acontecer com essas economias, tem bastante incerteza com o que vai acontecer lá fora e como esses fatores estruturais vão conseguir ser superados por esses estímulos, mas, a médio e longo prazos, é preciso algo mais sério do que só o aumento do consumo de eletrodomésticos e veículos”, afirma Sapienza.

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