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G20 debate a Europa

Autor(es): ROSANA HESSEL
Correio Braziliense – 13/06/2012
 
A crise da Zona do Euro e as eleições na Grécia no próximo domingo dominarão a pauta do encontro de cúpula do G20 — grupo das 19 principais nações desenvolvidas e emergentes do planeta, mais a União Europeia — nos dias 18 e 19, no balneário de Los Cabos, no México. “A preocupação do encontro será com a situação da economia internacional e com as eleições gregas. Não temos expectativa de uma pauta mais ampla porque ela estará focada na crise europeia”, revelou uma fonte ligada ao governo brasileiro.

O Brasil levará as mesmas reivindicações e propostas dos últimos encontros. Vai insistir na aceleração do processo de reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) para ampliar a participação dos países emergentes, iniciado em 2010. A nova revisão das cotas está programada somente para janeiro de 2014. “A velocidade desse processo tem frustrado o governo brasileiro e essa frustração será posta na mesa do encontro dos líderes do Brics (grupo de países emergentes de crescimento acelerado: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul)”, completou.

Brics
Os governantes dos Brics pretendem definir os valores dos aportes de recursos adicionais ao FMI acordados em abril passado. O diálogo ocorrerá em uma reunião paralela ao G20 no dia 18. A reforma do Fundo sofre resistência da União Europeia, cujos países são os que mais têm pedido socorro ao órgão. O Brasil condiciona a definição do aporte à revisão das cotas dos emergentes. “Não há certeza de que esses valores serão anunciados no México”, destacou a fonte.

As expectativas de especialistas em torno ao encontro são muito pequenas. “O G20 será mais um ambiente de debates do que um fórum para apresentar soluções para a crise”, comentou o professor de economia da Universidade de Brasília José Luis Oreiro. “A crise atual é localizada e a Europa tem capacidade de resolvê-la. Basta que os países do bloco entrem em um acordo”, emendou. Para ele, esse caminho já está sendo trilhado, especialmente com o socorro de 100 bilhões de euros para os bancos espanhóis aprovado esta semana. Além disso, a UE vem preparando um plano de contingência para a quase certa saída da Grécia da Zona do Euro.

“Esse plano é um sinal de que eles estão considerando a Grécia fora. O plano é para salvar o euro”, acrescentou, concordando com as declarações da diretora gerente do FMI, Christine Lagarde, de que, sem medidas fortes, a moeda europeia não sobreviverá três meses.

O professor de economia do Insper Otto Nogami também acredita que nenhuma solução para a crise sairá do encontro do México. “O G20 é muito heterogêneo. Os problemas regionais, como o da Europa e o da Argentina, terão que ser resolvidos localmente”, analisou.

Para ele, não há por que esperar que algo semelhante ao que ocorreu após o estouro da bolha imobiliária de 2008, que ajudou a projetar o G20 como no cenário geopolítico mundial. “Hoje, o G20 é mais um fórum de discussões dos problemas globais do que um órgão solucionador de crises”, explicou.

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