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Especialistas ouvidos pelo JB acreditam que afrouxo na austeridade acontecerá em breve

A economia espanhola entrou oficialmente em recessão, ao registrar queda de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). 

Os dados assustaram os mercados em todo o mundo, e fizeram com que as bolsas despencassem. O índice Ibovespa fechou em forte queda de 3,31%. Com medo de uma crise ainda mais profunda, os investidores buscaram a segurança da divisa americana, e o dólar terminou cotado a R$ 2,0061, alta de 0,23%.

Esta é a segunda vez que a Espanha registra crescimento negativo desde que a crise econômica estourou em 2008. Segundo especialistas ouvidos pelo Jornal do Brasil, enquanto as medidas de austeridade continuarem, as nações do velho continente encontrarão dificuldades para se recuperar.

A perspectiva para as próximas semanas é de um “ciclo de divulgação de dados que mostra piora nas condições fiscais”, acredita o economista José Oreiro, professor da Universidade de Brasília (UnB). 

Segundo o especialista, “um país em recessão tem mais dificuldades, crescerá o custo de captação da Espanha nos mercados europeus, o que acaba batendo negativamente no país, porque encarece o crédito bancário, agravando ainda mais a recessão”, analisa.

A Itália acompanhou a Espanha na queda, e também registrou desaceleração de 0,8% no primeiro trimestre deste ano, enquanto a França ficou estagnada. Os números refletem um círculo vicioso que se instalou no continente desde que a Alemanha promoveu medidas rígidas para controlar a crise nos países europeus. É o que afirma o economista Pedro Paulo Bastos, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). 

“Os países periféricos cresceram à base de muito crédito, principalmente dos bancos alemães, e aumentos salariais, que reduziram a competitividade destes países. Com a crise, as instituições financeiras contiveram o crédito, aumentando os juros e reduzindo o crescimento ao mesmo tempo em que se aumentou a dívida pública”, explica.

Com a contração dos gastos públicos, a arrecadação tributária diminuiu sensivelmente, o que limita ainda mais a capacidade do governo de financiar os bancos. Além disso, a alta taxa de juros dificulta o pagamento das dívidas pelos cidadãos e empresas, afirma Bastos.

Perspectivas

As medidas de austeridade não têm funcionado e, com isso, as conturbações políticas na Europa começam a surgir, com a oposição ganhando cada vez mais poder. Na França, a crise econômica derrubou Nicolas Sarkozy da presidência, levando o socialista François Hollande, forte opositor das políticas alemãs, ao cargo mais alto do país. 

“Foi decisiva a eleição de Hollande, que vai procurar construir um mecanismo que permita a retomada do crescimento da Europa, como o uso de um Banco Central de Investimento, que  propiciará recursos para investir em projetos de longo prazo”, afirma Oreiro.  

A vitória deve determinar uma mudança na forma como os dois principais países lidarão com a crise e pressionará a Alemanha a afrouxar as duras regras econômicas que impôs.

“A única forma destes países saírem da crise é através do aumento dos gastos públicos, investimento e prolongamento dos prazos para pagamento das dívidas. O problema é que a Alemanha não quer perder o seu poderio como exportador e ainda pretende proteger seus bancos”, analisa Pedro Paulo. 

A nação, uma das poucas a registrar crescimento positivo no ano, está pressionada pelos fracassos de suas políticas e não pode, segundo Bastos, correr o risco de ver a França em recessão. Apesar das possíveis mudanças no futuro, a Espanha ainda vai sofrer por mais tempo. 

“Eu acho que é muito difícil pro ano de 2012 fechar com crescimento positivo, o que acredito que deve acontecer este ano é que depois do 3º trimestre exista uma estabilização da atividade, mas recuperação fica só mesmo para 2013”, finaliza Oreiro. 

Carolina Mazzi

 

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