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O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anunciou nesta quarta-feira (18), corte de 0,75 pontos percentuais na taxa básica de juros do país, que passou de 9,75% para 9% ao ano. A redução foi comemorada pelos especialistas ouvidos pelo Jornal do Brasil.

“Achei que foi uma medida muito acertada, já que não estamos enfrentando nenhuma pressão inflacionária, o IPCA acumulado vem caindo mês a mês e deve fechar este ano em torno de 5%, dentro da banda esperada pelo governo”, afirma o economista José Oreiro, professor da Universidade de Brasília (UnB)

Esta é a sexta queda consecutiva da Selic e outros cortes ainda devem acontecer no futuro, afirma o economista. Porém, estas reduções ficarão dentro de uma margem.

“Existe um limite na queda dos juros devido aos problemas com a remuneração da poupança, que podem se tornar mais atraentes para os investidos. Acredito que a taxa deverá se reduzir até o limite de 8,5%”, analisa.

A mudança na remuneração da poupança depende de uma alteração na legislação. Para o professor, ainda não se pode dizer que a pressão por uma redução na Selic aumentará as discussões em relação às leis.

Incentivo à economia

Os índices econômicos de 2012 têm se mostrado tímidos, e o corte na Selic deverá estimular ainda mais a economia nacional, acredita Oreiro. Outro benefício da redução é o controle da entrada de dólares no mercado nacional.

“A autoridade monetária está procurando estimular mais a economia, os indicadores de nível de atividade estão fracos, principalmente da indústria. É também uma medida para reduzir o câmbio”, lembra.

O economista Fernando Sarti, diretor da Escola de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) também comemorou a decisão e destacou que com a redução dos juros, o governo também procura estimular a economia através da demanda e do consumo interno.

“Um dos primeiros efeitos importantes é que afeta a demanda, tende a incentivar o consumo via crédito. Além disso, a medida também afeta as decisões passadas, pois uma redução na taxa como um todo, também beneficia quem assumiu dívidas, e ainda representa um alívio para quem tá endividado”, relembra.

O especialista lamenta que a decisão, apesar de “muito acertada”, aconteceu tardiamente mas elogia a postura do Banco Central, que resistiu as pressões do mercado, que estava temeroso com o aumento da inflação.

“Esta redução é muito bem vinda, mas tenta corrigir um erro do passado, de ter desacelerado a economia com as altas nos juros no final de 2010. Acho que o BC bancou a sua postura apesar do mercado financeiro dizer que uma redução seria inconsequente, pelos riscos de inflação e pela crise internacional.  Mas o banco segurou. Só é uma pena que ainda estamos correndo atrás do prejuízo”, concluiu.

Apuração: Carolina Mazzi

 

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