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Taxa Selic em níveis históricos não é sustentável, afirma economista

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Autoridades do Comitê de Política Monetária (Copom), anunciaram nesta quinta-feira, 15, que a Selic, taxa básica de juros do Brasil, se aproximará da mínima histórica de 8,75% que vigorou entre julho de 2009 a abril de 2010.

A alta taxa de juros no país é apontada como um dos principais motivos para a entrada da dólares no país. O fato dos bancos europeus disponibilizarem muito capital para estimular a economia local atrai especuladores, que pegam empréstimos a juros irrisórios no continente (cerca de 1%) para reaplicar no mercado de câmbio nacional, que remunera com a taxa Selic, atualmente em 9,75%.

O Ministério da Fazenda tem anunciado medidas – como o aumento nos impostos para transações financeiras internacionais – que visam controlar a entrada massiva de dólares no país, que tem pressionado o câmbio. O objetivo das ações é desvalorizar o real e aumentar a competitividade dos produtos nacionais, dentro e fora do país.

No entanto, o economista José Oreiro, professor da Universidade de Brasília (Unb) afirma que estas medidas tem efeito paliativo e que o recente anúncio de diminuição da Selic para níveis históricos não é sustentável.

“A única forma de controlar o câmbio é através da diminuição dos juros, mas essa redução perto de 8,75% não será efetiva, pois o país precisa de reformas estruturais para conseguir um número até abaixo deste, de forma definitiva. Em 2013, a Selic voltará a subir, pois pressionará a inflação”, analisa.

Assim como Oreiro, o economista Paulo Gala, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) acredita que o governo tem agido de forma paliativa, e adiciona que o anúncio constante de medidas também tem um efeito psicológico nos investidores, que ficam temerosos de aplicar.

“Os especuladores ficam com receio de medidas ainda mais severas e assim, investem com mais cautela, o que diminui um pouco a pressão em cima do dólar”, explica.

Os economistas lembram que o problema na entrada massiva de dólares é que não há evidências que estes montantes sejam investidos na produção ou no desenvolvimento do país.

Consequências

Os especialistas concordam que as indústrias brasileiras são as que mais sofrem com o real forte, e alguns sinais de que o país está passando por uma desindustrialização já assustam o governo. Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o setor apresentou desaceleração em nove regiões metropolitanas do país.

Uma das outras formas com que o governo vem atuando para ajudar as indústrias nacionais é diminuir a carga de impostos do setor, destaca Gala.

“O IOF já é uma importante receita para o país, que arrecada cerca de R$ 30 bilhões por ano só com esse imposto. O que o governo já tem feiro, e deveria ampliar, é diminuir os impostos das indústrias e compensar esta perda com esse capital que chega com o IOF”, explica.

Além disso, problemas históricos do Brasil dificultam o desenvolvimento do setor, como a infra-estrutura deficitária de ferrovias, portos e aeroportos, além da elevada burocracia e carga tributária.

“O país vive uma competição muito acirrada no mercado nacional e internacional que vem mudando as indústrias. Precisamos modificar estruturalmente os problemas antigos do país”, concluiu Gala.

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