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 adesão do euro pelos países da União Europeia foi muito comemorada em 2001, principalmente nas nações que sentiram os avanços de pertencer a um grupo que oferecia crédito para investir em educação, saúde, infra-estrutura e melhorar sensivelmente as suas condições sociais.

Para nações fragilizadas como Grécia e Portugal, a aceitação ao bloco – e à moeda – significava um caminho em direção ao progresso e ao desenvolvimento. E foi, até 2008. Neste ano, diversos bancos americanos quebraram, e o mundo entrou em uma grave crise, que derrubou principalmente as economias mais fracas da Europa.

Agora, as nações que antes sonhavam fazer parte da União Europeia sentem os efeitos amargos do crédito liberado, e os problemas que não foram previstos há mais de 10 anos.

Para José Oreiro, professor da Universidade de Brasília (UnB), a Europa atualmente vive “o pior do mundos, pois apesar de os membros possuírem independência para aplicar políticas, não têm a possibilidade de se financiar, já que são dependentes de um orçamento limitado, definido pelo BCE”, analisa.

O continente vive um momento de transição, e a situação ambígua entre a autonomia política e a dependência monetária provoca efeitos nocivos, principalmente nas economias mais fracas, como a Grécia, que já cogita sair do bloco.

Ainda segundo Oreiro, o objetivo da UE é chegar também à unificação política, e a adoção do Pacto Fiscal – que pretende organizar e controlar os gastos dos países – caminha em direção a uma “federalização da Europa”.

“O grande problema é que, numa época de crise, esses ajustes fiscais tendem a piorar a crise, pois é um momento em que os países precisam ter uma flexibilidade maior, no déficit, por exemplo”, critica.

Para a professora de Relações Internacionais da UFRJ, Sabrina Medeiros, há um grande problema de legitimidade nas decisões do Parlamento Europeu, que não tem representação popular.

“Eu não acredito muito na implementação deste pacto fiscal, pois a população dos países não encontra representatividade no Bloco europeu. Acredito que estas políticas só serão aceitas pelas nações mais endividadas, mais dependentes”, acredita.

Apenas com uma unificação política, em que Parlamento e Banco Central Europeu tenham representatividade popular, é que as reformas propostas pelo grupo funcionarão, acredita Medeiros.

Futuro

Oreiro se coloca otimista em relação ao futuro europeu e afirma que o continente conseguirá avançar na unificação política. A liderança tecnológica em diversos setores, a maior rede de infra-estrutura pública do mundo e uma força de trabalho muito bem treinada e educada são características que possibilitarão a recuperação do continente, acredita o economista.

“Em nenhum outro lugar do mundo podemos ver essa unificação como na Europa, que reúne as melhores características para se tornar, talvez em 50 anos, uma grande federação, algo como um Estados Unidos da Europa. Nenhuma crise é eterna e tenho esperanças de que o continente ira conseguir seus objetivos” afirma

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