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Para tentar dissipar a onda negativa que insiste em não lhe deixar, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai se apegar ao máximo às boas notícias que o governo promete dar na área econômica. A primeira é a redução da taxa básica de juros (Selic), que pode recuar até 1 ponto percentual na próxima quarta-feira, dos atuais 10,50% para 9,50% ao ano — o consenso ainda é de corte de 0,5 ponto. Ele também acredita no sucesso da intervenção do governo no câmbio, para conter o derretimento do dólar frente ao real. Na quinta-feira, Mantega anunciou a extensão do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% nos empréstimos externos com vencimento em até três anos.

Por enquanto, na avaliação dos especialistas, são esses os temas relacionados a Mantega que concentram as atenções do investidores — e não as denúncias de corrupção na Casa da Moeda e a guerra por poder no Banco do Brasil. Para o economista-chefe da Votorantim Corretora, Roberto Padovani, “o risco político sempre existe, mas o mercado não está muito preocupado com o disse me disse dentro do governo”. No seu entender, “se a economia continuar indo bem, se a Fazenda cumprir integralmente as metas fiscais e se a inflação se mantiver sob controle, a confiança no país permanecerá”.

Professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), José Luís Oreiro acredita que Mantega deveria aproveitar o momento adverso para tomar medidas mais contundentes no sentido de evitar a supervalorização do real. A seu ver, o ideal seria o governo abolir o atual sistema de câmbio flutuante e retomar o mecanismo de taxas fixas (*) para manter a competitividade dos produtos nacionais no exterior e, assim, evitar desindustrialização do país e a destruição de empregos. “Já está claro que somente o aumento do IOF e as compras de dólares pelo Banco Central não resolverão os problemas”, afirma. “Também é preciso reduzir rapidamente as maiores taxas de juros do mundo, que têm atraído capital especulativo e derrubado o dólar”, acrescenta.

Para o professor da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, independentemente de quem estiver à frente do Ministério da Fazenda e do jogo de intrigas comuns no poder, o governo precisa adotar políticas efetivas para corrigir as distorções na economia, sobretudo as provocadas pelo câmbio. “Muito pouco se fez em inovação da política econômica. O governo Dilma tem apenas repetido a cartilha iniciada pelo governo Fernando Henrique Cardoso”, diz.

(*) Observação do administrador do BLOG: o regime cambial que eu defendo é o câmbio administrado. O sistema pode ser implantado da seguinte forma. O BC define um preço máximo e um preço mínimo para a taxa de câmbio, deixando a mesma flutuar livremente dentro dessa banda. Inicialmente o preço mínimo pode ser de R$ 1,70 e o preço máximo de R$ 1,80.  A cada 30 dias, contudo, o BC desvaloriza os preços máximo e mínimo em 2%, de forma que num prazo de cerca de 1 ano, o câmbio terá acumulado uma desvalorização próxima a 30%. Durante a fase de implantação do sistema, o BC deverá introduzir controles temporários a saída de capitais do país para evitar que os especuladores – ao anteciparem a desvalorização cambial – forcem uma fuga em massa de dólares do Brasil. Os controles de saida em conjunto com o expressivo volume de reservas internacionais do país (cerca de US$ 400 bilhões) deverão ser suficientes para administrar o câmbio e levar a taxa para um valor entre R$ 2,20 e R$ 2,40,  a qual devolverá a competitividade à industria nacional.
Deve-se ainda observar que a introdução de controles à saida de capitais permite que a administração simultânea de câmbio e juros sem violar o trindade impossível de Mundell. Para evitar uma aceleração muito forte da inflação em função da desvalorização cambial em simultâneo com redução dos juros, o governo deverá também elevar a meta de superávit primário para 5% do PIB durante o período de implantação do sistema (um ano).

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