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Acabei de ver na internet que o COPOM reduziu a meta da taxa selic em 0,5 p.p, tal como esperado pela maioria dos analistas de mercado. A Selic nominal se encontra agora em 10,5% a.a. Considerando uma expectativa de inflação de 5,5% para 2012 temos uma taxa real de juros próxima de 5% ao ano, o que coloca o Brasil como um dos campeões mundiais de taxa real de juros.

O Brasil convive a décadas com juros reais extremamente elevados, o que produz uma tendência crônica a apreciação da taxa real de câmbio, causa fundamental do processo de desindustrialização pela qual passa o país nos ultimos anos. 

O ciclo recente de redução da taxa nominal de juros não só não eliminou essa “patologia” da economia brasileira, como é apenas de caráter temporário. Assim que terminar a crise na área do Euro, os países desenvolvidos deverão retornar a “normalidade” de crescimento, com o consequente término da política monetária expansionista nos Estados Unidos, Europa e Japão. Veremos então uma elevação gradual das taxas de juros nos países desenvolvidos, o que irá reverter os fluxos de capitais internacionais em direção as praças situadas no hemisfério norte. Países emergentes, como o Brasil, que possuem déficits em conta corrente, serão obrigados a elevar a taxa de juros para conter os efeitos inflacionários da desvalorização abrupta da taxa nominal de câmbio resultante do “sudden stop” dos fluxos de capitais externos. Nesse cenário a taxa real de juros deverá se elevar para um patamar de 6 a 7% ao ano, o que implica numa selic nominal entre 11,5 a 12,5% ao ano, caso a meta de inflação seja mantida em 4,5% a.a.

Ainda está bem longe o dia em que poderemos ver juros reais civilizados no Brasil. Para tanto seria necessário a realização de profundas reformas estruturais no sistema financeiro, na gestão da dívida pública e na governança da política monetária, fiscal e cambial, algo que o governo da Presidente Dilma Rouseff parece não estar disposto a fazer.

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