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Os lideres políticos costumam utilizar uma linguagem sutil para sinalizar suas intenções ou desenvolvimentos futuros que sejam relevantes para seus respectivos países. Ontem foi o caso do Primeiro Ministro da Itália, Mario Monti, recorrer a esse expediente. Numa entrevista concedida três dias após o rebaixamento do rating da Itália pela S&P, Monti afirmou que “Um BCE independente, por sua vez, vai se sentir mais a vontade, depois que o pacto fiscal esteja no papel, com 27 ou 26 assinaturas“.  O premier italiano se referia a reunião de cupula da União Européia a ser realizada no final deste mês, ocasião em que poderá ser votado um novo pacto fiscal para a União Européia.

De forma bastante sutil, o premier italiano parece estar sugerindo que a partir do momento que um novo pacto fiscal for assinado, o BCE irá atuar pesadamente como “emprestador de última instância”, comprando títulos soberanos dos países do Sul da Europa em larga escala de forma a reduzir as taxas de juros incidentes sobre esses papéis. Nesse caso, conforme já mencionamos em outras ocasiões (https://jlcoreiro.wordpress.com/2011/11/28/a-falta-que-faz-um-emprestador-de-ultima-instancia/), será o fim da crise da dívida na União Européia. Restará então a tarefa de restaurar o crescimento, o que passa necessariamente pela solução do problema da competitividade externa dos países do Sul da Europa.

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