08/12/2011 – 22:12

BCE baixa juro mas não compra títulos

 

Sarkozy, o apocalíptico: pressão por mais arrocho

 

Bolsas desabam e Oreiro alerta que UE não sai da crise sem emprestador final

O Banco Central Europeu (BCE) baixou em 0,25 ponto percentual, de 1,25% ao ano para 1% ao ano, a taxa básica de juros da Zona do Euro, uma mínima recorde. Foi a segunda queda em cinco semanas. No entanto, a declaração do presidente do BCE, Mario Draghi, rechaçou a possibilidade de ampliar as compras de bônus de governos da Zona do Euro. A afirmação foi uma ducha de água fria, sendo seguida da forte queda nas bolsas de valores.

No entanto, Espanha e Itália continuam praticando taxas de até seis pontos percentuais acima daquela fixada pelo BCE.

“Não vejo como resolver o problema da Zona do Euro sem que o Banco Central Europeu (BCE) atue como emprestador de última instância.” A afirmação é do economista José Luiz Oreiro, da Associação Keynesiana Brasileira (AKB).

Já o presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que “não haverá uma segunda chance para a Europa” sem um acordo de cúpula. A afirmação foi entendida como uma pressão sobre governos relutantes em ampliarem o arrocho fiscal sobre seus povos.

“O problema de Espanha e Itália não é propriamente a dívida, mas a taxa de juros, que precisa voltar ao patamar de 4% para garantir a solvência daqueles países. E o ajuste fiscal não pode ser perseguido no curto prazo. Caso contrário produzirá ainda mais recessão”, disse Oreiro, lembrando que o desemprego entre os jovens na Espanha (de 18 a 30 anos) se aproxima de 50%.

“Por tudo isso, o BCE precisa intervir. Não se trata de salvar bancos, mas diminuir o pânico, que está levando os investidores a correr para os títulos do Tesouro dos EUA”, destacou.

Apesar de a Standard&Poor”s (S&P) ter rebaixado o rating dos títulos norte-americanos, os investidores aceleraram a corrida para esses papéis.

 

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