Erros de até 40% nas previsões do Focus

sobre inflação fortalecem lobby pró-juros

“É natural, afinal os bancos ganham quando os juros sobem.” O comentário é do economista Luiz Fernando de Paula, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), sobre estudo elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômica (Fipe), segundo o qual os erros das previsões do boletim Focus, do Banco Central (BC), sobre a inflação costumam superar em até 40% o resultado real. A publicação reúne projeções dos bancos para a inflação e outros indicadores.

“Vindo de uma instituição não heterodoxa como a Fipe, o diagnóstico é insuspeito e revela mais uma falha do sistema de metas para a inflação. As projeções são feitas para o período de um ano, mas poderiam contemplar um período maior, de dois anos. Já o índice anualizado gera distorções, pois não contempla eventuais quedas que ocorrem durante o período e obriga o BC a elevar juros, já que a política monetária exige pelo menos seis meses para fazer efeito”, observa.

José Luiz Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB), defende “que os institutos de economia das principais universidades do país participem das projeções do BC”.

Para ele, é inaceitável que os bancos estejam à frente das previsões de indicadores que interferem em sua lucratividade. Tanto Oreiro quanto De Paula participam da Associação Keynesiana Brasileira (AKB).

“Com exceção da taxa de câmbio e, em alguma medida, das exportações e da dívida pública, as previsões feitas para todas as variáveis analisadas apresentam viés sistemático e de magnitude elevada, geralmente superiores a 20%”, analisa a Fipe, acrescentando que, no caso da inflação, os valores absolutos dos erros médios chegam a níveis superiores a 40%, “chegando por vezes a mais de 100%”.

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