Itália, que já paga juros 6,5 pontos acima

da Alemanha, está sob pressão dos credores

A cúpula de dois dias do G20 em Cannes, França, terminou sem que os países aprovassem qualquer empréstimo à Zona do Euro e com Itália sob pressão para se curvar às exigências dos credores.

Para tanto, o FMI exige que o país corte ainda mais os gastos públicos, arroche as aposentadorias e programas de privatização. No entanto, os economistas José Luiz Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB), e José Carlos de Assis, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), alertam que a melhor saída para os europeus em crise seria a Alemanha autorizar a compra, via Banco Central Europeu (BCE), de títulos soberanos no mercado primário. Isso permitiria que países na situação da Itália paguem juros menores e rolem suas dívidas.

“Enquanto a Inglaterra, que não aderiu ao euro, manteve sua soberania em termos de política monetária e, apesar do alto endividamento, paga juros de dois pontos percentuais acima da Alemanha, a Itália mantém taxa de 6,5 pontos além da taxa alemã. Autorizar as operações no mercado primário permitiria uma queda nas taxas”, diz Oreiro.

Já Assis, apesar de concordar com Oreiro, não crê que a Alemanha concorde. “A Alemanha está disposta a impedir operações também no mercado secundário”, avalia.

Assis não crê que os países da Otan estejam apostando numa saída da crise pela guerra. “Não é impossível no curto prazo, mas seria uma imensa besteira optar, por exemplo, por uma guerra contra o Irã. A aventura no Iraque já mostrou que o efeito não é mais o mesmo sobre a economia. Seria uma imensa bobagem”, resume.

Já Oreiro não acha impossível a Alemanha perceber que impor a recessão aos vizinhos poderá, no médio prazo, ser um “tiro no pé” da economia do país, superavitário nas trocas com os vizinhos.

Também nesta sexta-feira, os reguladores financeiros, sob supervisão do Conselho de Estabilidade Financeira (CEF), identificaram 29 bancos com problemas sistêmicos.

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