Com 30 mil demissões, setor causa menor criação de vagas em 5 anos: 247 mil postos

Em setembro, o Brasil gerou 209.078 empregos formais, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta terça-feira. O resultado foi menor do que o do mesmo período do ano passado, quando foram criados 246.875 vagas com carteira assinada. Foi o pior desempenho para setembro desde 2006.

Mês passado, foi contratada 1,76 milhão de pessoas e demitida 1,55 milhão. Com esse resultado, o país criou cerca de 331 mil empregos no terceiro trimestre de 2011. No acumulado do ano, o número de postos de trabalho ficou em 2,07 milhões.

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, admitiu que a forte desaceleração em setembro é explicada pela queda no nível de emprego na indústria de transformação, que perdeu quase 30 mil empregos.

Já o economista José Luiz Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB), ressalta que a indústria está estagnada há 18 meses, sobretudo por causa da apreciação cambial.

“A apreciação do câmbio real reduziu o crescimento da indústria de transformação em cerca de 30%”, disse, citando números do IpeaData e acrescentando que a produção física da indústria de transformação (índice dessazonalizado) acumulou alta de apenas 2,92% entre janeiro de 2010 e julho de 2011, o que significa uma taxa de crescimento da produção física de aproximadamente 1,9% em termos anualizados.

“A estagnação da produção industrial não pode ser atribuída ao recente recrudescimento da crise econômica mundial, mas, em boa medida, à apreciação de 9,39% da taxa real de câmbio entre janeiro de 2010 e julho de 2011”, observou o economista.

Para Oreiro, é inexplicável que o governo permita a re-apreciação da taxa nominal de câmbio, depois que o dólar atingiu praticamente R$ 1,95, em função do aumento da aversão global ao risco, devido ao recrudescimento da crise na Europa.

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