O diretor da AKB (Associação Keynesiana Brasileira) José Luis da Costa Oreiro disse nesta segunda-feira (26) que o Banco Central agiu precipitadamente ao cortar a taxa de juros no dia 31 de agosto, de 12,5% para 12%.

Na sua opinião, o BC supervalorizou o discurso do Ministério da Fazenda de que aumentaria o superavit primário do governo brasileiro, reduzindo o crescimento dos gastos públicos.

 

Os keynesianos tradicionalmente defendem cortes de juros. Segundo Oreiro, no entanto, não havia condições macroeconômicas no momento para reduzir a taxa. Além de dizer que política fiscal continua expansionista, ele destacou que o forte aumento do salário mínimo nos últimos anos é outro fator que vem pressionando a inflação.

 

A política expansionista tende a aumentar a despesa pública (o que contraria o esforço fiscal anunciado pelo governo), para aumentar os estímulos à economia, como produção, consumo e redução de desemprego. Essas ações colocam dinheiro público no mercado para fazer a economia girar.

 

O diretor da AKB defendeu que primeiro seria preciso mudar esses dois fatores para que, então, fosse possível reduzir a taxa de juros.

 

Em evento da FGV em São Paulo, ele lembrou que já está previsto um aumento de cerca de 14% do piso dos salário no Brasil em 2012, e observou que demandas políticas geram pressão por mais gastos, dificultando a contenção das despesas do governo.

 

O diretor da AKB disse que a inflação pode ficar perto de 7% neste ano, patamar considerado por ele como alto e arriscado.

 

De acordo com Oreiro, nos últimos anos a valorização do real serviu para segurar a inflação, mas a taxa de câmbio chegou a um patamar insustentável para a indústria, que começou a pressionar o governo a agir para conter a queda do dólar.

 

“A política fiscal expansionista cria uma dilema entre controlar a inflação ou manter o câmbio menos valorizado. O governo optou pela primeira opção desde 2006, mas agora parece que mudou”, disse.

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