Mudança de nota da Fitch deve acelerar entrada de capital especulativo no Brasil

Comemorada pelo mercado financeiro, a melhora da avaliação do país pela agência de classificação de risco Fitch ajudou, logo no primeiro dia, a depreciar ainda mais o dólar. O economista José Luiz Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB) alerta que é mais um capítulo de uma história que terá a crise cambial como fim. E que poderá ser acelerada pela mudança de classificação, ao estimular o ingresso de capital especulativo: “A crise no balanço de pagamento virá em algum momento.”

Isso porque, segundo Oreiro, a relação entre câmbio e inflação é um dilema para o Banco Central (BC). Apesar de identificar mudanças positivas na estratégia do BC para enfrentar a inflação, ele salienta que a valorização cambial ajuda a conter preços, mas tem “impactos violentos” sobre a competitividade da indústria, sobre as contas externas e sobre a “própria sustentabilidade no longo prazo”.

Oreiro observa que o governo poderia intervir no mercado futuro de câmbio, mas recomenda cautela: “Mas seriam medidas que precisam ser pensadas com calma. É um mercado complexo e algumas transações são importantes para oferecer hedge (defesa) para exportadores. Qualquer precipitação pode acabar sendo um tiro no pé.”

Ele, no entanto, defende medidas “dura e urgentes”, que teriam reflexos no mercado à vista. Sobre a possibilidade de impor limite ao déficit em transações correntes, como o governo faz com as contas públicas domésticas, o economista reconhece não haver base científica para estabelecer um percentual do PIB como limite. Mas lembra que a experiência histórica mostra que déficits acima de 4% do PIB em transações correntes costumam acabar em crises do balanço de pagamentos.

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