EMENTA: Keynes e a macroeconomia pós-keynesiana. O conceito de economia monetária de produção. Princípio da demanda efetiva. Consumo, investimento e o multiplicador. Incerteza e formação de expectativas. Teoria da preferência pela liquidez. O modelo keynesiano completo. Flexibilidade de salários e pleno-emprego. O circuito finance-investimento-poupança-funding. Fragilidade financeira e as flutuações cíclicas. O modelo de crescimento de Harrod. O paradoxo da parcimônia revisitado: o modelo de crescimento de Robinson. Kaldor e o crescimento puxado pelas exportações. Crescimento com restrição de balanço de pagamento: o modelo de Thirwall.

OBJETIVO: A disciplina de análise macroeconômica avançada tem por objetivo fazer uma exposição sistemática da macroeconomia pós-keynesiana tendo como ponto de partida o conceito de economia monetária de produção e o princípio da demanda efetiva. Na sequencia, apresenta-se ao aluno os determinantes da demanda efetiva, a determinação da taxa de juros e o processo de formação de expectativas num ambiente caracterizado pela incerteza no sentido Knight-Keynes. Os desdobramentos mais recentes da teoria pós-keynesiana no que se refere as flutuações cíclicas do nível de atividade econômica e os determinantes do crescimento de longo-prazo são também analisados a partir dos escritos de autores como Hyman Minsky, Joan Robinson e Nickolas Kaldor.

HORÁRIO: SEGUNDAS-FEIRAS (14:00-18:00).

PROGRAMA DO CURSO

Parte I: O Princípio de Demanda Efetiva e o Equilíbrio com Desemprego (12 aulas).

  1. A “Teoria Clássica” e a Revolução Keynesiana.
  2. O Conceito de Economia Monetária de Produção.
  3. O Princípio da Demanda Efetiva.
  4. A Propensão a Consumir e o Multiplicador.
  5. A Eficiência Marginal do Capital e a Decisão de Investimento.
  6.  Incerteza e Formação de Expectativas.
  7. Preferência pela Liquidez e a Determinação da Taxa de Juros.
  8. O Modelo Keynesiano Completo.
  9. Flexibilidade Salarial e a Natureza da Posição de Equilíbrio na Teoria Geral. 

Leituras: Asimakopulos (1991), Farmer (2010, caps, 2 e 3), Keynes (1936; caps. 1-3, 8-13,15, 18, 19); Carvalho (1992, caps.1-4); Dutt (1992), Oreiro (2000, 2006), Galbraith (1972, cap.3; 1987, cap.17).

Parte II: Fragilidade Financeira e Flutuações Cíclicas (10 aulas).

  1. O Processo de Formação de Capital e o Circuito “finance-investimento-poupança-funding”.
  2.  Oferta de crédito e a preferência pela liquidez da firma bancária
  3. Fragilidade financeira, bolhas especulativas e flutuações cíclicas.
  4. Modelos lineares e não-lineares de fragilidade financeira
  5. Crises financeiras num modelo macrodinâmico Minskiano.
  6. Fragilidade financeira em economias abertas

Leituras: Carvalho (1995, 1997), Dymski e Pollin (1992), Foley (2003) Minsky (1982, caps. 1-6), Moore (1988, caps. 1-3), Nasica (2000), Oreiro (2003), Paula (1999), Taylor e O´Connell (1985), Gandolfo (1997, cap. 21).

Parte III: Demanda Efetiva e Crescimento de Longo-Prazo (8 aulas).

  1. Expansão da capacidade produtiva, desemprego e instabilidade: o modelo Harrod-Domar.  
  2. Acumulação de capital e trajetórias de crescimento: o modelo de Robinson
  3. A demanda efetiva como motor do crescimento de longo-prazo: a contribuição de Kaldor.
  4. Crescimento puxado pelas exportações: o modelo Kaldor-Dixit-Thirwall.
  5. Crescimento com restrição de balanço de pagamentos: o modelo McCombie-Thirwall e seus desdobramentos.

Leituras: Harrod (1939), Domar (1946), Robinson (1962, cap. 2), Jones (1979, cap. 2), Kaldor (1988), Thirwall (2002, cap. 5), Setterfield (1997, cap.3).

AVALIAÇÃO: A avaliação dos discentes consistirá em três listas de questões para discussão, distribuídas ao final de cada módulo da disciplina, e um artigo científico a ser entregue no final da disciplina. Essas listas de questões para discussão deverão ser feitas individualmente e terão um prazo de entrega de uma semana a contar da data de divulgação das mesmas pelo professor. As listas terão um peso de 30% na média final do discente. O artigo científico poderá ser feito em grupo de no máximo três alunos e deve versar sobre algum dos temas discutidos ao longo da disciplina. Recomenda-se que o tema do artigo seja previamente discutido com o professor. O artigo terá um peso de 70% na média final

BIBLIOGRAFIA.

ASIMAKOPULOS, A. (1991). Keynes´s General Theory and accumulation. Cambridge: Cambridge University Press.

CARVALHO, F.C.  (1992). Mr. Keynes and the Post Keynesians: principles of macroeconomics for a monetary production economy. Edward Elgar: Aldershot.

————————-  (1995). “Keynes´s concepts of finance and funding, and the structure of financial system”. Textos para Discussão, N. 344. IE-UFRJ.

————————      (1997). “Financial innovation and the post-keynesian approach to the process of capital formation”. Journal of Post Keynesian Economics, Vol. 19, N.3, pp. 461-487.     

DOMAR, E. (1946). Capital Expansion, Rate of Growth and Employment. Econometrica , Vol. 14, pp.137-147.

DYMSKI, G.; POLLIN, R. (1992). “Hyman Minsky as the Hedgehog: The power of the Wall Street Paradigm” In: FAZZARI, S; PAPADIMITRIOU, D. (orgs.). Financial Conditions and Macroeconomic Performance: essays in honor of Hyman Minsky. M.E.Sharpe: Nova Iorque.

DUTT, A. K. (1992). “Expectations and equilibrium: implications for Keynes, the neo-Ricardian Keynesians and the post Keynesians.” Journal of Post Keynesian Economics 14(2).

FARMER, R.E. (2010). How the Economy Works: confidence, crashes, self-fulfilling prophecies. Oxford University Press: Oxford.

 FOLEY, D. (2003). “Financial Fragility in Developing Countries” In: Dutt, A.K. Ros, J. (orgs.) Development Economics and Structuralist Macroeconomics. Edward Elgar: Aldershot.

GALBRAITH, J.K. (1972). “Como Keynes veio à América” In: Economia, Paz e Humor. Cículo do Livro: São Paulo.

———————— (1987). “John Maynard Keynes” In: O Pensamento Econômico em Perspectiva: uma história crítica. Pioneira: São Paulo.

GANDOLFO, G. (1997). Economic Dynamics. Springer-Verlag: Berlin.

HARROD, R. (1939).  An Essay in Dynamic Theory. Economic Journal, Vol. 49, pp. 14-33.

JONES, H. (1979). Modernas Teorias do Crescimento Econômico. Atlas: São Paulo.

KALDOR, N. (1988). “The Role of Effective Demand in the Short and in the Long-Run” In: Barrére, A. (org.) The Foundations of Keynesian Analysis. Macmillan Press: Londres.

KEYNES, J.M. (1936). The General Theory of Employment, Interest and Money. Macmillan Press: Cambridge.

MINSKY, H.P.  (1982). Can “It” happen aggain? M.E.Sharpe: Nova Iorque. 

MOORE, B. (1988). Horizontalists and verticalists: the macroeconomics of credit money. Cambridge University Press: Cambridge.

NASICA, E. (2000). Finance, Investment and Economic Fluctuations. Edward Elgar: Aldershot.

OREIRO, J.L. (2000). “Incerteza, Comportamento Convencional e Surpresa Potencial”. Econômica, N.4. Dezembro.

————— (2003). “Bolhas Racionais, Ciclos de Preços de Ativos e Racionalidade Limitada”. Análise Econômica, Vol. 40, N.2, pp. 89-114.

————— (2006). “Os debates sobre a natureza da posição de equilíbrio na Teoria Geral de Keynes”. Revista de Economia, Vol. 32, N.2.

PAULA, L.F. (1999). “A teoria da firma bancária” In: LIMA, G.T; SICSÚ, J; PAULA, L.F. (orgs.). Macroeconomia Moderna: Keynes e a Economia Contemporânea. Campus: Rio de Janeiro.

ROBINSON, J. (1962). Essays in the Theory of Economic Growth. Macmillan : Londres.

SETTERFIELD, M. (1997). Rapid Growth and Relative Decline. St. Martin Press: Oxford

TAYLOR, L; O´CONNELL, S. (1985). “A Minsky Crisis”. Quarterly Journal of Economics, 100, pp. 872-885.

THIRWALL, A.P. (2002). The Nature of Economic Growth. Edward Elgar: Aldershot.

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