Acabo de ler a matéria do Valor Econômico de hoje “Nada a Declarar” sobre o caso da fraude contábil do Banco PanAnamericano. Na matéria consta que o BTG Pactual comprou o PanAmericano do empresário Silvio Santos por R$ 450 milhões, assumindo um patrimônio líquido negativo de R$ 3,8 bilhões. Ai vem a primeira pergunta: por que razão uma instituição privada com fins lucrativos estaria disposta a pagar uma soma razoável de dinheiro por um banco cujo passivo é maior do que o ativo? Tecnicamente falando o PanAmericano não vale nada. Na sequencia da matéria pude ler que o Fundo Garantidor de Crédito fará um aporte de R$ 3,8 bilhões ao banco, um aumento de R$ 1,3 Bilhões com respeito ao acordo feito originalmente com o empresário Silvio Santos, mas dessa vez sem exigir os bens do empresário como garantia. Outra dúvida: por que razão o FGC que é uma instituição privada faria aporte de capital a um banco falido que foi comprado por outra instituição privada? Será que o BTG Pactual vai ressarcir o FGC no futuro? Segundo a reportagem, o FGC aceitou assumir indiretamente o prejuízo, alegando “risco sistêmico”. Pode ser que a falência do PanAmericano aumentasse a probabilidade de risco sistêmico, mas por que transferir o custo disso para o FGC, isentando o empresário Silvio Santos de qualquer ônus (segundo a matéria, o ex-controlador “naõ ganhou nada, não perdeu nada”). A matéria continua informando que a Caixa Econômica Federal – dona de 35% do capital do PanAmericano –  não fez nenhuma provisão no seu balanço para cobrir o rombo do PanAmericano, o que motivou uma ressalva (indicação de erro nas contas) de um auditor independente. Se for, de fato, verdade que o FGC vai assumir integralmente o aporte de capital requerido para sanear o PanAmericano, a omissão desse detalhe no balanço da CEF faz sentido, mas essa generosidade dos administradores do FGC não está parecendo excessiva demais? O correto não seria deixar que o Empresário Silvio Santos e a CEF fizessem o aporte de recursos necessário para o saneamento do PanAmericano ou, pelo menos, obriga-los a ressarcir o fundo em algum momento no futuro? Essa estória está muito mal contada … não consigo deixar de pensar que alguem está escondendo algo muito importante em todo esse processo … definitivamente, existe algo de podre no Reino da Dinamarca … ou no sistema financeiro brasileiro …

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