No valor econômico de ontem o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirma que o governo irá cortar gastos para realizar um superávit primário maior do que a meta de 3,1% do PIB. Quando perguntado a respeito de quais gastos seriam cortados, o Ministro da Fazenda afirmou que seriam cortados gastos correntes e de investimento !!!! Afirmação infeliz : corte de gastos de investimento para realizar superávit primário é o modelo de política fiscal do segundo mandato do presidente Fernando Henrique. Trata-se de uma política fiscal míope que troca ganhos de curto-prazo em termos de credibilidade por redução do potencial de crescimento da economia no longo-prazo.

O problema fiscal brasileiro não é tanto o nível dos gastos publicos, mas a sua composição. O estado Brasileiro gasta demais em consumo e pouco em investimento. Ajuste fiscal pelo lado do investimento só piora as coisas.

O Ministro também afirmou que está elaborando uma série um pacote de medidas de incentivo ao financiamento de longo-prazo no qual se prevê desoneração do IR sobre aplicações longas. Ele disse que essas medidas tem que ser tomadas com cuidado porque no Brasil o mercado está acoustumado com a liquidez diaria e a rentabilidade dos títulos públicos. Isso é verdade mas não se trata de estar acostumado a liquidez e rentabilidade dos títulos públicos, mas sim ao fato de que o governo brasileiro, desde 1986, oferece, sem custos, essa opção ao mercado via emissão de Letras Financeiras do Tesouro. Se ao invés de reduzir os impostos sobre aplicações de longo-prazo o governo simplesmente extinguisse as LFT´s, o mercado não teria mais como compatibilizar “liquidez” e “rentabilidade” numa mesma aplicação financeira. Nesse caso, os agentes seriam naturalmente levados a alongar as suas aplicações financeiras em busca de maior rentabilidade, como acontece em qualquer lugar do mundo … Mas pelo visto o Ministro da Fazenda não quer tomar nenhuma medida para desagradar o mercado financeiro.

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