Em vez de virar crédito, compra de papéis de bancos dos EUA gera bolhas

A injeção de US$ 600 bilhões do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) na economia dos EUA e novas medidas de estímulo podem ser o elemento que faltava para o risco da formação de nova bolha de ativos nos países emergentes.

O alerta foi feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Na avaliação da OCDE, os recursos já injetados nos países ricos nos últimos meses deram demonstrações claras de que não estão sendo escoados nas economias locais. Parte substancial teria se destinado às economias emergentes.

“Com certeza viveremos mais um capítulo da guerra cambial. Esse dinheiro não vai ficar nos EUA, pois os bancos têm mais dinheiro em caixa do que emprestado”, acrescenta o economista José Luiz Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB).

Oreiro adverte que a queda do dólar, conseqüência de mais essa emissão, equivalente a 4% do produto interno bruto (PIB) norte-americano, será acompanhada pela China imediatamente, pois mantém sua moeda, o iuan, atrelada ao dólar. “Isso causa problemas em cascata, pois os demais países irão seguir o mesmo caminho”, alerta.

Já a OCDE, citou Brasil, África do Sul e outros emergentes como destino de possíveis bolhas, com mais valorização do câmbio. Ainda de acordo com a OCDE, a recuperação da economia mundial perdeu seu ritmo diante da gradual retirada de medidas de estímulo à produção.

A entidade apontou que a recuperação do comércio também perdeu fôlego. Nos países ricos, o crescimento do PIB em 2010 deve ser de 2,5% a 3%. Para 2011, deve cair para 2% a 2,5%. Nos países emergentes, a expansão do PIB continua mais firme, mas a projeção é de que também perca força.

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