Em Curitiba, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse a empresários ligados à Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) que, independentemente de quem vença as eleições presidenciais deste ano, a “tendência” seria a manutenção da política econômica atual.

Meirelles disse também que o crescente déficit das transações correntes tenderia a ajustar, naturalmente, a taxa de câmbio, uma das mais sobrevalorizadas do mundo em relação ao dólar.

No entanto, o economista José Luiz Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB), salienta que o câmbio é um preço determinado pela conta de capital (financeira). Ou seja, pela atração de dólares, para fechar as contas externas do país.

“Dizer que o próprio déficit vai ajustar o câmbio é balela. Se nada for feito, poderemos ter uma crise no balanço de pagamento em dois ou três anos. E a história mostra que, quando isso ocorre, há uma desvalorização abrupta do câmbio, geralmente superior a 30%”, lembrou.

Prova disso, segundo o economista, é que apesar dos números preocupantes em transações correntes, há pressão pela valorização do real.

“Estão entrando muitos dólares via capital especulativo, investimento estrangeiro direto (IED) e financiamentos de curto e médio prazos. Esse quadro só mudará quando o mercado financeiro entender que a situação ficou insustentável. Aí será tarde”, disse, observando que a previsão de Meirelles nunca ocorreu “e não será agora que vai se confirmar”.

Já Meirelles confirmou o compromisso do BC com o regime de metas de inflação, que, via juros altos, tem contribuído para a valorização cambial. “O BC tem compromisso com a meta de inflação e, certamente, está preparado para tomar todas as medidas necessárias para que a inflação esteja na meta em 2011 e nos anos seguintes.”

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