Coincidência ou não logo após eu ter divulgado neste blog os riscos implícitos numa operação de “secutirização” de empréstimos da Caixa para ampliar as suas operações de crédito (https://jlcoreiro.wordpress.com/2010/08/27/em-vez-de-capitalizar-caixa-via-tesouro-governo-opta-por-papeis-toxicos-monitor-mercantil-26082010/), o governo decidiu fazer um aporte de recursos na CEF e no BNDES por intermédio da transferência de ações ON da Petrobrás. P0nto para o governo Lula que não se deixou levar pelos interesses do sistema financeiro (e de alguns economistas brasileiros que trabalham em instituições que representam os interesses imperiais norte-americanos como o FMI). Foram as operações de secutirização que permitiram o surgimento da enorme bolha imobiliária nos EUA no início da década de 2000. Permitir que essas operações apareçam em larga escala no Brasil, justamente no setor imobiliário, é cometer os mesmos erros que foram cometidos nos EUA. Está claro que os bancos – e alguns economistas regiamente pagos para defender os interesses dos mesmos “as if”  estivessem embasados em sólido conhecimento científico – iriam ganhar muito dinheiro com essas operações. A conta final seria, no entanto, passada para o contribuinte se e quando a bolha estourasse e o governo fosse chamado para fazer o bailout da CEF e do sistema financeiro brasileiro.

Vejam abaixo a notícia repercutida no Monitor Mercantil.

Ações da estatal reforçam BNDES

 

O governo, por meio de decreto publicado nesta sexta-feira no Diário Oficial da União, decidiu aumentar o capital do BNDES e da Caixa Econômica Federal (CEF) com a transferência de ações ON da Petrobras.

Na prática, o governo, detentor de ações ON da estatal, vai usar uma parte delas para aumentar o capital social e, assim, ampliar a capacidade de crédito dos dois bancos. Essa é uma forma de aumentar o patrimônio dos bancos sem desembolsar recursos. Isso significa que, no balanço tanto da Caixa quanto do BNDES, haverá uma conta chamada “ações da Petrobras”.

Pelo decreto, o BNDES será capitalizado com R$ 4,5 bilhões e a Caixa com R$ 2,5 bilhões. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou que a capitalização em ações ON da Petrobras “é uma operação normal, pois reforça o capital do banco e permite continuar operando sem nenhum estresse sob a regra de Basiléia”.

Anúncios