O primeiro passo para alterar a rota da política monetária é psicológico. Assim como as expectativas do mercado sobem conforme os números de IPCA e IGP sobem, elas devem cair quando eles registram queda. No entanto, para José Luís Oreiro, doutor em economia pela UFRJ e professor da UnB, as expectativas seguem mais rapidamente os índices quando eles sobem, demorando mais para atuar quando eles caem.

“O grande problema está na forma como se dá a apuração de expectativas por parte do Banco Central”, diz Oreiro, para quem as pesquisas do BC dão peso maior ao sistema financeiro. O boletim Focus, feito pelo BC, é constituído por cerca de cem instituições que enviam suas previsões quanto ao nível de atividade, câmbio, taxa de juros e índices de inflação. Em sua maioria, as instituições são bancos e consultorias econômicas. “O BC deveria incentivar a academia a estruturar modelos para fazer um contraponto”, sugere.

Ao ampliar a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB), o mercado automaticamente eleva as projeções para a Selic, instrumento que o BC utiliza para arrefecer a atividade e assim diminuir as pressões sobre os preços. “Assim, basta um pequeno repique no IPCA para o mercado começar a elevar as projeções de inflação no fim de ano, pressionando o BC a elevar os juros”, diz o economista. (JV)

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