Numa interessante matéria publicada no Jornal O Globo de hoje – “Fundos aplicam em real viram vedete entre europeus” – podemos constatar uma das razões pelas quais o Real tem apresentado um ritmo de apreciação superior a dos demais paises emergentes. O Real é a segunda moeda mais negociada nos mercados fututos internacionais, atrás apenas do dólar americano. Segundo dados do BIS – Bank of International Settlements – os contratos com Real movimentaram US$ 140 bilhões no primeiro trimestre de 2010. A enorme atratividade dos ativos denominados em Real advém, segundo a matéria do Globo, dos elevados juros praticados na economia brasileira (fato esse sobejamente conhecido) e do fato de que, na percepeção dos investidores internacionais, o câmbio no Brasil flutua só numa direção … para baixo. Com efeito, Thomas Gerhard, do DWS, braço de investimentos do Deutsche Bank, afirma que desde 2005  não se faz mais apólices de seguro contra a desvalorização cambial no caso de investimentos no Brasil. Isso significa que o ganho financeiro advindo do diferencial entre os juros prevalecentes no Brasil e na Europa é somado ao ganho de capital que os investidores esperam ter com aplicações em ativos denominados em Real. Nessas condições, fazer “investimentos financeiros” (seja em renda fixa ou variável) no Brasil torna-se uma “máquina de fazer dinheiro” pois implica em “ganho puro de arbitragem”.

Essa matéria mostra que parte da tendência a apreciação da taxa de câmbio no Brasil advém do modus operandi da política cambial no Brasil (fora o diferencial de juros), o qual permite que os investidores internacionais formem expectativas de apreciação da taxa de câmbio a médio-prazo. Uma intervenção mais forte do BC no mercado de câmbio, alterando ainda que temporariamente a trajetória da taxa de câmbio, poderia desmontar essas expectativas, contribuindo assim para a estabilização da taxa de câmbio num patamar mais competitivo. Em suma, o BC precisa mostrar para os investidores internacionais que no Brasil o câmbio flutua … nas duas direções.

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