16/04/2010 – 20:04 Brics reúnem países de primeira e segunda classe de crescimento (http://www.monitormercantil.com.br/mostranoticia.php?id=77774)

Durante o I Encontro Internacional Bric – Ibas, promovido pelo Ministério das Relações Exteriores, no Rio e que reuniu lideranças comerciais da África do Sul e dos integrantes do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) ficou evidente a distância do Brasil para a China e a Índia no que tange ao desenvolvimento de produção intensiva em empregos e tecnologia. Enquanto o Brasil destacou sua liderança na fabricação de urnas eletrônicas que não consegue exportar; de tecnologia para bancos, que serve mais ao consumo e desemprega bancários, e nos setores ligados a commodities, como agronegócio e exploração de petróleo em águas profundas, Índia e China unem o “útil ao agradável” desenvolvendo Tecnologia da Informação e Comunicações (TICs), setor que exige qualificação profissional e gera muitos empregos e divisas de exportações.

Subdesenvolvimento financeiro

De acordo com o economista José Luis Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB), é incontestável que o Brasil investe muito pouco em ciência e tecnologia (C&T), se comparado com empresas do resto do mundo: menos de 1% do PIB. “Nos países desenvolvidos e nos emergentes que mais se destacam, geralmente, o investimento é mais do que o dobro. E o pouco que temos está muito ligado ao agronegócio”, critica Oreiro. Para ele, esse é mais um indicador a demonstrar que o Brasil está se especializando na produção de bens primários. Ao lado de Luís Fernando de Paula, da Uerj, Oreiro acaba de concluir estudo a respeito da relação entre desenvolvimento financeiro e crescimento econômico, no qual demonstra que a literatura teórica e empírica aponta para a possibilidade de que políticas de direcionamento de crédito atuem no sentido de estimular o desenvolvimento financeiro, o que tem impacto positivo sobre o crescimento de longo-prazo. “Mas a tecnologia que o setor financeiro utiliza no Brasil é mais de meios de pagamento, como caixas eletrônicos, sistemas eletrônicos de pagamento, e só. Não temos nada muito sofisticado em termos de avaliação de risco de crédito de projetos de investimento”, pondera, acrescentando que os bancos emprestam basicamente para o governo e para pessoa física gastar no consumo. “Projetos de investimento em tecnologia quem tem é o BNDES. A contribuição do setor financeiro para a inovação é apenas para facilitação de pagamentos. Nada para o desenvolvimento financeiro. Isso não aumenta a funcionalidade do sistema financeiro do ponto de vista do desenvolvimento econômico”, acrescenta. O professor da UnB reconhece que existe complementariedade entre a intermediação financeira e o desenvolvimento do mercado de capitais, porém argumenta que o efeito da intermediação financeira sobre o crescimento de longo prazo costuma ser mais forte do que o efeito do desenvolvimento do mercado de capitais.

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