Oreiro: reduzir tributos temporariamente gera antecipação de compras (Foto: Arquivo/ABr)

Isenção de R$ 1,8 bi para IPI gera mais R$ 1,2 bi em receita. Conta não inclui ICMS De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desonerar impostos nem sempre dá resultado negativo. No caso do desconto oferecido no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, a União teria deixado de ganhar R$ 1,82 bilhão no primeiro semestre de 2009, mas, com o aumento das vendas, arrecadou R$ 1,26 bilhão a mais em PIS, Cofins, CSLL, IR e em outras categorias de IPI. A diferença, segundo o Ipea, foi amplamente compensada pela arrecadação do ICMS nos estados e da Previdência Social, ainda em análise pelo instituto e que teria sido beneficiada pela manutenção de até 60 mil empregos diretos e indiretos na cadeia automotiva. O Ipea calcula, ainda, que 500 mil vendas de veículos, setor que responde pela quarta parte da produção industrial no Brasil, resultaram diretamente da redução do IPI. Em 2009, foram vendidos mais 340 mil veículos que no ano anterior. O economista José Luiz Oreiro, da UnB, afirma que a redução temporária de impostos, “focada em bens de consumo duráveis” é autêntica medida keynesiana anti-recessão. “O estímulo fiscal, tanto pode vir do aumento dos gastos, quanto da redução de impostos”, comentou, frisando que a medida deve ser temporária, acrescentando que a redução ou isenção fiscal estimula a antecipação de compras. Para este ano, segundo o Ipea, mesmo com o fim do estímulo fiscal, o mercado de trabalho deve apresentar desempenho positivo, devido, sobretudo, à expansão da oferta interna de crédito, manutenção dos investimentos em infra-estrutura, e estímulo ao consumo via redução de impostos: “É lícito projetar um cenário positivo para o mercado de trabalho em 2010, com retomada da geração de empregos com carteira assinada e da elevação dos rendimentos”, disse o Ipea

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