Os dados brutos das Nações Unidas (“National Accounts Main Aggregates Database”, da Divisão de Estatística das Nações Unidas – United Nations Statistics Division) sobre os quais o IEDI efetuou um estudo sobre as participações relativas dos setores nas principais economias, permitem constatar que vários países cuja média das taxas de crescimento anual foi igual ou superior a 5% entre 1970 e 2007 registraram aumento da participação da indústria de transformação em suas estruturas produtivas. Grande destaque para as economias asiáticas, mormente China e Coréia do Sul.

O Brasil tem passado por mudança de perfil produtivo distinta, com redução na participação da atividade manufatureira em sua estrutura produtiva. Se, na média do período 1972/1980, respondia por 30% do valor adicionado (VA) total, em 2007, respondia por 23,7%, 6,3 pontos percentuais a menos. Ou seja, ocorreu uma desindustrialização relativa na economia brasileira. Isso, considerando a referida base de dados que trabalha com valores constantes de 1990 (em dólar).

Apesar dessa perda de relevância, a indústria de transformação segue tendo um peso no Brasil ligeiramente superior ao que a indústria mundial tem na economia global. Em 2007, a indústria de transformação significou 23,0% do valor adicionado total mundial, praticamente a mesma representatividade de 1970, quando respondera por 22,8%.

No valor adicionado total mundial, o VA do Brasil participou com 2,2% em 2007. No início da série respondia por 1,5%. Mas, na média dos anos 1980, chegou a representar 2,3% do VA total mundial. A propósito, o País tem conseguido manter essa proporção na economia do globo graças à agropecuária, cuja proporção média dos anos 1970, de 3,3% do VA da agropecuária mundial, subiu para 5,2% no período 2000-2007.

Isso impõe uma preocupação para o Brasil. De um lado, o País não tem conseguido uma maior inserção de sua indústria de transformação doméstica na cena internacional, o que constitui outro sintoma da fragilidade de sua industrialização nas últimas duas décadas. De fato, nos anos 1980, o VA da atividade manufatureira representou em média 2,9% do VA da indústria de transformação mundial, mas, na média de 2000-2007, respondeu por somente 2,3%.

De outro lado, os serviços respondem por fatia ainda menor: 1,8%. Ou seja, ambas as constatações se configuram na expressão setorial de que há muito o que percorrer para o País capturar posições no cenário internacional.

Obviamente que a perda de participação da indústria de transformação está longe dos patamares registrados por economias avançadas, onde esse processo avançou muito mais. Porém, o que distingue o caso brasileiro é que o processo se dá em contexto distinto, já que o Brasil está ainda distante dos níveis de renda per capita dos outros países mais avançados. Ademais, o Brasil segue disputando bases de produção com economias que têm se mostrado mais exitosas no intento de atrair fabricantes estrangeiros e de ampliar a capacidade produtiva instalada com capital de residentes.

Isso remete à premência de se ampliar a infra-estrutura para a produção, reformar o sistema tributário, perseguir meios para que a taxa de câmbio não se perpetue em patamar sobrevalorizado, incentivar mais a inovação empresarial e aprimorar ainda mais a política industrial ou, como é conhecida no país, a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP).

O fato de se ter registrado perda de participação no VA da indústria de transformação mundial e no VA total do globo nos anos 1990 e 2000 frente aos anos 1980 serve também de aviso para a situação atual do Brasil diante da recente crise internacional. Em períodos de dificuldade e de baixo crescimento na economia mundial, aparentemente o Brasil galga maior destaque relativo. A questão reside em como irá se comportar frente a um novo ciclo de expansão global, isto é, se o Brasil estará apto a crescer mais do que a economia mundial como um todo e de fato tirar proveito de períodos de prosperidade

As considerações acima autorizam dizer que a indústria brasileira, muito embora tenha se fragilizado e perdido oportunidades de ouro nas últimas décadas, conserva uma estrutura industrial de traço forte e diversificado e, a despeito de todo o seu atraso relativo com relação a outros países emergentes, se mantém no “mapa industrial mundial”. Em outras palavras, preserva condições de retomar a liderança do crescimento e da transformação que caracterizam, juntamente com a sustentabilidade social e ambiental, o desenvolvimento econômico que se espera para o Brasil.  

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