Recebi de um leitor do blog o seguinte comentário:

“A few of these [conclusions] are identical with those of the permanent income hypothesis, for instance the idea that the aggregate saving ratio is constant in the long term and that capital gains affect consumption only slightly.”

Essa é uma das conclusões do trabalho do Modigliani. Está no link que você incluiu neste post. Aliás, é importante que tenha sido uma conclusão, porque a observação empírica desse fato foi o que motivou o trabalho dele.

Isso não está em desacordo com o que você disse? Acho que a discussão relevante é sobre TAXA de poupança, não sobre nível. E, ao que parece, a taxa de poupança na não é afetada pelo crescimento econômico. Ao menos, não na teoria do Modigliani.

At.

Pedro.

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A resposta ao questionamento do Pedro sobre se o trabalho de Modigliani fundamenta uma relação entre o nível da poupança e o crescimento ou entre a taxa de poupança e crescimento pode ser obtida diretamente na “conferência Nobel” de Modigliani no endereço http://nobelprize.org/nobel_prizes/economics/laureates/1985/modigliani-lecture.pdf

Na página 154 da conferência Nobel, Modigliani afirma textualmente que: “Between countries with identical individual behavior the aggregate saving
rate will be higher the higher the long run growth rate of the economy. It will
be zero for zero growth”
, na página 155, figura 2, Modigliani apresenta dados a respeito da relação entre taxa de poupança e taxa de crescimento, mostrando que a relação entre ambos é positiva. Por fim, na página 157 Modigliani apresenta a explicação microeconômica pela qual um aumento da taxa de crescimento de equilíbrio de longo-prazo leva a um aumento da taxa de poupança.

Em suma, respondendo a pergunta interessante do Pedro: O trabalho pelo qual Franco Modigliani ganhou o Prêmio Nobel de Economia mostra que o crescimento econômico gera a sua própria poupança. Esse é um resultado eminentemente Keynesiano !!!!

Aplicando essa teoria ao caso Chinês podemos afirmar que a elevada taxa de poupança da China é causada, em larga medida, pelo espetacular crescimento do PIB. Mas o que explica o espetacular crescimento do PIB da China? Neoclássicos argumentarão que a resposta deve ser buscada no lado da oferta: crescimento da produtividade total dos fatores e crescimento da população. Keynesianos irão argumentar que a resposta deve ser buscada do lado da demanda: crescimento vertigionoso das exportações, o qual é viabilizado pela política de câmbio real competitivo que a China adota.

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