Está ficando sem graça debater (?) com os (pseudo-)ortodoxos brasileiros. Os caras estão tão desesperados com a perda de espaço no debate econômico nacional  e com o fato óbvio de que, ganhe Dilma ou Serra, eles estarão fora da equipe econômica do próximo governo, que resolveram subverter a longa tradição de seu próprio referencial teórico, qual seja a ênfase na análise dos resultados de longo-prazo dos processos econômicos, e se refugiam no curto-prazo (além de ataques ad hominem, os quais demonstram a existência de um certo Complexo de Édipo por parte dos expoentes menores dessa tradição de pensamento).   

 Nesse contexto, os pseudo-ortodoxos brasileiros criticam os heterodoxos com base na tese de que as políticas defendidas pelos últimos são contra-producentes … no curto-prazo. Com efeito, os pseudo-ortodoxos brasileiros afirmam que a política correta para obter uma desvalorização da taxa de câmbio é aumentar a taxa de poupança, quando o seu próprio referencial teórico mostra que, no equilíbrio de longo-prazo, uma taxa de poupança mais elevada estará associada, na falta de uma política deliberada de administração da taxa de câmbio como faz a China,  com um câmbio mais apreciado …. a depreciação é apenas um efeito temporário, não sistemático, de um aumento persistente da taxa de poupança. Além disso, os pseudo-ortodoxos criticam os heterodoxos afirmando que uma política de desvalorização da taxa de câmbio teria o efeito de aumentar a participação dos lucros na renda nacional, ou seja, a concentração de renda nas mãos dos capitalistas … O problema é que esse resultado é apenas um efeito temporário, não persistente, da política de administração da taxa de câmbio. No longo-período ( o qual é uma sucessão de curtos-períodos, para não confundir com o longo-prazo neoclássico), o câmbio desvalorizado atua no sentido de acelerar a exportação de manufaturados, o que aumenta a produtividade do trabalho devido a lei de Kaldor-Verdoorn, o que leva, ao fim e ao cabo, a um aumento sustentado dos salários reais.

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