Caros leitores,

       Vejam a entrevista que concedi para o portal TERRA sobre a mudança na política cambial da Venezuela no dia 11/01/2010 no link http://tv.terra.com.br/Noticias/Economia/4196-265947/Venezuela-esta-fadada-a-nao-se-desenvolver-diz-professor.htm.  Devo alertar que as mudanças realizadas na Venezuela não tem nenhuma relação com as mudanças que os economistas novo-desenvolvimentistas – entre os quais eu – defendemos para o Brasil. Em primeiro lugar, o problema do Brasil é de excesso de entrada de capitais, ao passo que na Venezuela – em função das fanforronices do Sr. Hugo Cháves – o problema é exatamente o oposto: saída descontrolada de capitais. Em segundo lugar, na Venezuela o câmbio é fixo, ao passo que no Brasil os defensores de uma nova política cambial apregoam a implantação de um regime de câmbio flutuante administrado, no qual o câmbio continua flutuante, mas a flutuação é administrada pelo governo com vistas a obtenção de um patamar competitivo para a taxa real de câmbio a médio e longo-prazo, o que elimina a possibilidade de crises do balanço de pagamentos. Em terceiro lugar, o novo-desenvolvimentismo brasileiro considera que a economia de mercado socialmente regulada é a melhor forma de organização da atividade econômica, de tal forma que a “transição para o socialismo” está descartada como objetivo de longo-prazo da agenda política.  Por fim, o projeto político do Sr. Hugo Cháves não está ancorado em nenhuma proposta consistente de industrialização e desenvolvimento econômico da Venezuela, assemelhando-se mais ao velho populismo latino-americano turbinado por um “saudosismo” dos tempos da Guerra Fria, quando ainda se considerava o socialismo real uma alternativa ao capitalismo. Os economistas novo-desenvolvimentistas estão vacinados contra esse tipo de doença, pois tem perfeita consciência de que o capitalismo pode até ser uma forma “deplorável” de organização da vida econômica … mas é melhor que todas as alternativas existentes.

Abs

Oreiro

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