Na entrevista que dei hoje para o Valor Econômico, eu mencionei para o Sérgio Lamucci que uma das formas de conter a rápida expansão da demanda agregada sem utilizar o expediente clássico de elevação da taxa básica de juros seria por intermédio da introdução de um requerimento de reservas sobre os empréstimos bancários destinados ao financiamento dos gastos de consumo. A lógica do instrumento é simples: a autoridade monetária estipula um requerimento compulsório de reservas – adicional ao que já existe e que incide sobre os depósitos a vista  – que incide apenas sobre aquela parcela dos empréstimos bancários destinada ao financiamento do consumo. Dessa forma, o custo de concessão desse tipo de crédito para os bancos deve aumentar, fazendo com que as taxas de juros para essa modalidade de empréstimos também aumentem. O efeito final será um desestímulo a expansão do consumo – que é o que se pretende com a elevação da selic – mas sem os efeitos colaterais indesejados de um aumento da selic como, por exemplo, o aumento do custo do capital para as empresas e pressões adicionais para a valorização do câmbio. Consequentemente, o gasto de investimento e as exportações líquidas não sofrerão um impacto direto pela adoção desse tipo de política. Em outras palavras, o requerimento de reservas com base em ativos (no caso, empréstimos para consumo) atua, portanto, não apenas sobre o ritmo de expansão da demanda agregada como também sobre a composição da demanda, induzindo uma redução da participação dos gastos de consumo na demanda agregada por bens e serviços.

Essa idéia foi pioneiramente desenvolvida pelo economista pós-keynesiano norte-americano Thomas Palley. Maiores informações podem ser obtidas no endereço http://www.thomaspalley.com/?p=161#more-161. Apenas quero mencionar que a preocupação do Tom não é com inflação, mas com bolhas de preços de ativos.

Abraços a todos

Oreiro

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