Um leitor do meu blog me mandou o link de uma interessante matéria publicada no blog do Luiz Nassif sobre as “incríveis previsões” de Dr. Geninho, o Grande.

Vejam em http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/12/09/a-crise-segundo-mr-alexandre-magoo-schwartsman/

É um festival de erros crassos de previsão sobre a extensão dos efeitos da crise sobre o Brasil (lembram da pérola de aumentar os juros em outubro de 2008 para conter a “explosão inflacionária decorrente da desvalorização do câmbio), com o direito ao mal aconselhamento a investidores privados para investir naquele fundo “sólido” com nome russo, terminando com previsões de sobre-aquecimento da economia no terceiro trimestre de 2009 … O cara simplesmente não deu uma dentro !!!

O engraçado é que depois de tantos erros, esse mesmo elemento quer se constituir em Juiz do trabalho de outros economistas, dedicando uma parte não desprezível de seu tempo de trabalho, o qual deveria ser alocado para fornecer sólidas previsões econômicas para que o banco do qual ele é economista-chefe possa ganhar dinheiro para os acionistas, a crítica dos trabalhos de outros. Isso sem contar o festival de grosserias, palavras de baixo-calão, e coisas do gênero que se podem encontrar em seu blog, as quais são indignas de uma pessoa com nível superior.  

É por essas e por outras que um número crescente de economistas, muitos deles do mercado financeiro, e sem nenhuma relação com a heterodoxia, simplesmente não levam esse sujeito a sério. Aliás a lista de inimigos dele no mercado financeiro é cada vez maior.

Para dizer que não falei de flores, sugiro aos meus leitores que constatem com os seus próprios olhos a falácia da tese de não-desindustrialização da economia brasileira (com a série antiga do IBGE) a partir das seguintes referências:

Almeida, J.G. (2006). Renovar idéias: política monetária e crescimento econômico no Brasil. Apresentação para o PSDB em 16/02/2006.

Bonelli, R. (2005). “Industrialização e desenvolvimento: notas e conjecturas com foco na experiência do Brasil”. Texto preparado para o seminário “Industrialização, Desindustrialização e Desenvolvimento”, São Paulo, 28/11/2005. Disponível em www.fiesp.com.br/download/semin…/6Bonelli_ind_desenv.pdf.

Essas referências mostram claramente que houve sim um processo de redução do valor adicionado da indústria no PIB brasileira nos últimos 30 anos, ao contrário do afirmado de maneira enfática (e mais uma vez equivocada) por Dr. Geninho, o Grande.

Dr. Geninho, talvez pressionado pelos seus pares do mercado financeiro que querem a sua cabeça, está tentando desesperadamente ocultar suas falhas atirando em outras pessoas. Pelo visto, este pobre professor universitário, que nunca foi diretor do BCB e nem economista chefe de uma grande instituição financeira, é agora o alvo de sua obsessão compulsiva em se destacar por intermédio da humilhação de outros (algumas sessões de psicanálise talvez resolvessem esse problema). Sua estratégia para comigo se baseia na manipulação de dados de séries diferentes das Contas Nacionais para desmontar uma relés nota escrita por mim, nas vésperas de Natal, e que, portanto, tem ainda o status de “working in progress”. Não se trata sequer de um artigo aprovado para uma revista científica, ou mesmo para um congresso … mas apenas um simples post de blog, escrito em apenas 2 horas, por alguem que não é especialista em indústria, a partir da leitura feita da bibliografia mínima exigida para se ter um conhecimento básico do tema em consideração. Apesar disso, o Dr. Geninho dedicou todo o seu final de semana a atacar essa nota como se ela fosse o representante mais elaborado da vasta e extensa literatura sobre desindustrialização no Brasil, ao invés de ser o que é, ou seja, reflexões preliminares de um macroeconomista que está começando a estudar o assunto. Se eu fosse psicanalista diria que por trás de todo esse esforço desmedido existe alguma questão psicanalítica não resolvida …  

No entanto, sua arrogância não esconde o fato elementar que a literatura nacional – inclusive a escrita por autores convencionais como Regis Bonelli – argumenta para a ocorrência de desindustrialização no Brasil, pelo menos para a década de 1990. Esse ponto é praticamente consensual na literatura brasileira sobre o tema. O que se discute –  ou seja, ainda é objeto de significativa controvérsia –  é se (i) a tendência a desindustrialização se interrompeu a partir de 2000; (ii) o caráter positivo ou negativo da desindustrialização.

Mas é claro, Dr. Geninho, o Grande, é mais inteligente, informado e esperto que todos os demais economistas brasileiros especialistas em indústria. Se todos eles afirmam que ocorreu desindustrialização no Brasil, mas ele afirma o contrário, é porque todos os demais são burros, incompetentes ou mal-intencionados.

Talvez falte ao Dr. Geninho, o Grande, alguem de sua confiança que faça o trabalho ingrato, mas extremamente útil, que os escravos faziam aos Imperadores Romanos durante os seus desfiles triunfais em Roma. Alguem que diga ao pé do ouvido: “lembra-te César que és apenas um homem”.

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