É impressionante a capacidade de Dr. Geninho, “O Grande”, e seu fiel escudeiro, o anônimo “O”, de darem grandes contribuições a macroeconomia. Após terem inventado a macroeconomia da regressão linear simples, os mesmos inventaram a “macroeconomia do trigo”. Entende-se por “macroeconomia do trigo” aquele ramo do “conhecimento científico” que ignora as variações de preços relativos, supondo que todas as mudanças de valor decorrem unicamente de mudanças no “quantum” produzido de “mercadorias”. Dessa forma, se a participação do valor adicionado pela indústria brasileira cai como proporção do PIB é porque o “quantum” produzido pela indústria caiu relativamente ao “quantum” produzido pela economia como um todo. No entanto, a despeito das evidências apresentadas nas séries de VA do IPEADATA que mostram que mesmo após 1990, ou seja, mesmo levando-se em conta a mudança na metodologia de apuração do VA da indústria entre 1989-1990,  a participação do VA na indústria como proporção do PIB vem sendo reduzida sistematicamente, os mesmos se “revoltam” contra os dados dizendo que tal situação não pode ter ocorrido pois a mesma implicaria numa contração da produção industrial (em quantum), o que não teria ocorrido já que os dados mostram expansão do quantum produzido durante o período analisado. 

Um pouco de atenção aos dados de preços relativos pode ajudar a compreender, ao menos em parte, o “mistério” do desabamento da participação do VA da indústria no PIB entre 1994 e 1995. Com efeito, enquanto o IPA de bens industriais apresentarou variação de 2083,25% e 55,23%  nos dois anos em consideração; o delator implícito do PIB apresentou variação de 2251,59% e 93,52% !!! Em outros termos os produtos industriais cairam, e muito, de preço em comparação com os demais bens produzidos na economia. Aliás essa tendência prossegue até 1999 quando se dá a desvalorização do câmbio.

Em outras palavras, a desindustrialização – entendida como um movimento de queda da participação do VA (ou seja, preço * quantidade) da indústria no PIB – não resulta unicamente da queda da produção da indústria (medida em quantum) relativamente ao resto da economia; mas também de uma “deterioração dos termos de troca” da indústria, so to speak. É interessante constatar que a “deterioração dos termos de troca da indústria” coincide (1994-1998 e 2006-2007) com os períodos de câmbio apreciado ….

Mas esperemos para ver qual a nova contribuição da “dupla dinâmica” para o “conhecimento científico” … Anyway, da próxima vez que estiver com meus amigos do País Basco vou perguntar porque razão os economistas-chefes dos bancos deles tem tanto tempo livre para criticar o que os outros economistas fazem ao invés de procurar ganhar dinheiro para os acionistas .

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