Dr Geninho é mesmo uma figura interessante na blogsfera. Gosta de criticar a tudo e a todos, mas esquece das inúmeras vezes que ele cometeu erros crassos. Como não lembrar da pérola  de outubro de 2008 quando ele defendia um aumento da taxa básica de juros no meio da crise financeira internacional. Ou mais recentemente quando Dr. Geninho afirmava que a economia brasileira estava super-aquecida em função da “explosão” de gastos de consumo do governo, devendo apresentar um crescimento de 2% no 3T com respeito a trimestre anterior …

No entanto após ver suas inúmeras previsões sendo desmentidas sistematicamente pelos dados, Dr. Geninho resolveu introduzir uma inovação: ao invés de criticar por suas próprias palavras os trabalhos de outros, decidiu aderir, tardiamente diga-se de passagem, a “onda neo-liberal”, e “terceirizou” a crítica aos economistas heterodoxos. Seu novo escudeiro é um tal de “O” que por alguma razão desconhecida possui um ódio mortal pelos economistas heterodoxos, dedicando-se exaustivamente a hercúlea tarefa de combater o “mal”, ou seja, a heterodoxia; tudo isso no mais misterioso anonimato.

Com a ajuda de “O”, Dr. Geninho inaugurou um novo ramo na macroeconomia, a qual podemos chamar de “macroeconomia da regressão linear simples”. O axioma fundamental desse novo ramo do “conhecimento científico” é que  problemas complexos – como por exemplo, a relação entre câmbio real e poupança ou os determinantes do investimento agregado – possuem causa única. Em outras palavras, toda a macroeconomia deve ser re-escrita em termos de equações simples de primeiro grau do tipo Y = a + bX. Digamos que Y seja o investimento como proporção do PIB e X uma variável explicativa, por exemplo, a taxa real de câmbio. Dessa forma, o teste “empírico” dessa equação seria rodar uma regressão simples (se bem que na maioria dos casos o Dr. Geninho e seu escudeiro só fazem análise de elevador mesmo) para saber se o coeficiente b é estatisticamente singificativo. No entanto, como o Dr. Geninho vive muito ocupado na administração dos interesses dos rentistas, via de regra sua análise não é tão sofisticada. Depois de ter lido (e não entendido) o conceito schumpeteriano de rotina de tomada de decisão como procedimento para poupar capacidade cognitiva, Dr. Geninho propõe um teste mais simples, a saber: Se Y subir quando X cai então isso prova que os heterodoxos estão errados ao afirmar que o câmbio apreciado afeta negativamente o investimento. Eis a beleza da macroeconomia da regressão simples: para que levar em conta todos os demais determinantes do investimento, tipo o custo real do capital, o grau de utilização da capacidade produtiva corrente e esperado para o futuro, a expectativa de crescimento da economia no futuro e etc ?  Tudo isso é bobagem, a “verdade é simples” (isso ele leu em algum livro de Teologia que folheou apressadamente no saguão de embarque de algum aeroporto) , logo se a explicação simples não coincidir com os dados é porque a heterodoxia está errada. Esqueçam regressão multipla, fiquemos apenas no primeiro capítulo do livro do Gujarati !!!

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