Hoje comemora-se em todo o Brasil o “dia da proclamação da República”.  Ao todo são 120 anos de República contra 67 anos de Monarquia. Mas será que temos, como brasileiros, que nos orgulhar da derrubada da Monarquia e sua substituição pela República? A solução repúblicana terá sido melhor para o Brasil?

Para responder a essa pergunta temos que relembrar os fatos históricos, tal como ocorreram. A “proclamação da República” foi, nada mais nada menos, do que um GOLPE DE ESTADO, impetrado por parte das forças armadas brasileiras. Em 1889, a Monarquia Brasileira, na figura de S.M.R.I D. Pedro II, gozava de amplo prestígio tanto entre a população brasileira, como a nível internacional. O Brasil era uma Monarquia  Constitucional Parlamentarista, a la inglesa, com alternância periódica de poder entre os dois partidos políticos dominantes da época. Nossas instituições políticas estavam muito a frente de qualquer outra da América Latina, continente mundialmente conhecido pelos “pronunciamientos” dos militares e periódicos golpes de Estado. Isso sem contar o fato inegável de que a unidade territorial brasileira só foi possível pela existência de um regime monárquico, ao invés das republiquetas prevalecentes no resto da América Latina, responsáveis pelo esfecelamento do gigantesco Império Espanhol em várias nações “semi-dependentes” do Reino Unido. Por fim, não podemos esquecer o fato de que o fim do flagelo vergonhoso da escravidão ter sido obra e graça do Regime Monárquico. Como bem colocado pelo historiador José Murilo de Carvalho no livro “D. Pedro II”, a abolição da escravidão foi um “projeto político” do Imperador e de sua filha, a princesa Isabel, que considerava a escravidão uma abominação aos olhos de Deus. Deve-se ressaltar também que o Partido Repúblicano Brasileiro não se pronunciou nunca a favor da abolição da escravidão no Brasil, temeroso de que pudesse perder o apoio imprescindível dos proprietários de terra, francamente contrários a tese abolicionista.  

Quero tecer aqui algumas palavras em homenagem a S.M.R.I D. Pedro II. Não tenho dúvida de que no rol de nossa longa história como nação independente, D. Pedro II deve ser colocado como um dos maiores brasileiros. Exerceu fielmente e exemplarmente o cargo de Imperador do Brasil, contra a sua vontade, como podemos constatar de inúmeras cartas reproduzidas no livro de José Murilo de Carvalho. Durante toda a sua vida como Imperador manteve inalterado o subsídio do Estado Brasileiro para as despesas da família Imperial, razão pela qual suas viagens para o exterior tinham que ser financiadas com empréstimos particulares e, ao morrer, se achasse atolado em dívidas. Embora tivesse as condições materiais para sufocar o Golpe Militar de 15 de novembro, preferiu não fazê-lo pra não derramar sangue brasileiro.  Mesmo exilado e desamparado pela República nunca permitiu que ninguém falasse mal do Brasil na sua frente. Ao morrer pediu para que sua cabeça descansasse sobre um punhado de terra do Brasil.

Hoje em dia fala-se muito das “virtudes republicanas”. No entanto, paradoxalmente, as tais virtudes republicanas foram melhor exercidas pelo Imperador D. Pedro II, descendente da Casa de Bragança, do que pelos presidentes da República até 1930. Com efeito, o Brasil foi governado de 1889 até 1930 por oligarquias regionais, com apoio do latinfundio exportador de café. Os dois primeiros presidentes da República foram militares, não civis … algo bastante longínquo do “governo de todos” proposto pela República.  Além disso, como argumenta José Murilo de Carvalho no artigo “Os Estados Unidos e a República”, a viabilização da República no Brasil não teria sido possível sem o apoio explícito e militar dos Estados Unidos … o que mostra que a Monarquia Brasileira gozava de bastante prestígio entre a população brasileira. Nas suas palavras:

O novo governo via-se em situação angustiante. Surgido de um golpe militar, mal recebido em toda a Europa, ameaçado pela oposição monarquista e por conflitos entre os próprios republicanos, necessitava desesperadamente de reconhecimento por um país importante. Visando a assinatura do tratado e temendo a interferência europeia, os EUA reconheceram o governo, fato recebido com festa no Rio. Falou-se mesmo que Blaine teria enviado US$ 2 milhões para ajudar Deodoro da Fonseca”

Essas reflexões nos levam a conclusão de que no Brasil o curso da história é um pouco diferente do resto do mundo … No Brasil a Monarquia foi, historicamente, progressista (abolicionista), nacionalista (não subserviente aos interesses imperiais estrangeiros) e democrata … A república, até o advento da Era Vargas, era o contrário. Com Getúlio Dornelles Vargas começa, de fato, a República no Brasil.

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