Em matéria publicada no Valor Econômico de hoje lê-se que os bancos europeus ainda precisam de US$ 78 bilhões da capital adicional, onde US$ 38 bilhões são necessários para recompra de participações pertencentes aos governos e outros US$ 40 bilhões para atenderem aos coeficientes de capitalização mais rígidos no pós-crise. Esse valor não leva em consideração outros US$ 67 bilhões que os bancos britânicos Royal Bank of Scotland e Lloyds Bankin Group precisariam captar conjuntamente caso optassem por sair do Esquema de Proteção de Ativos do Reino Unido.

As necessidades de capitalização dos bancos europeus apontam para dificuldades na expansão do crédito na Europa, o que combinado com as baixas contábeis de 1,1 trilhão de dólares das empresas financeiras norte-americanas desde o início da crise, sinalizam uma recuperação muito lenta das economias dos Estados Unidos e da Europa.

Nesse contexto, coloca-se mais uma vez a questão de se os mercados financeiros não estão passando por uma nova fase de “exuberância irracional” no que se refere a valorização dos ativos. Quando se olha para a situação do sistema financeiro americano e europeu, para o comportamento do consumidor norte-americano e para os crescentes índices de desemprego nos países desenvolvidos o prognóstico mais provável a partir dessas informações é a ocorrência de uma recuperação bem lenta – na forma de U com uma base bem longa – para as economias desenvolvidas. No entanto, as bolsas de valores tem apontado para uma recuperação extremamente rápida das economias dos países desenvolvidos. Se assim for, em algum momento ao longo dos próximos meses a realidade vai bater a porta dos investidores e terá início um processo de venda coletiva de ativos, causando um novo crash nas bolsas de valores.

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