Excelente o artigo “O Viciado Resiste?” de André Siqueira publicado no  número 556 da Revista Carta Maior. Esse artigo apresenta um estudo do Prof. Alberto Borges Matias da USP no qual se constata que 53% do resultado das 503 empresas de capital aberto no Brasil tem sua origem em operações bancárias, não em atividades produtivas !!!!

Daqui se segue que o Brasil é um país viciado em juros altos. Nesse contexto surge uma constelação de interesses que se opõe a redução permamente da taxa de juros no Brasil. Os interessados incluem bancos, seguradoras, fundos de pensão e … os rentistas. Um trecho interessante do artigo é o que diz que “outra prova de que abandonar o vício será mais difícil do que parece é a pressa dos agentes do mercado (financeiro) em ecoar a informação de que a redução do juro é a ultima do ano” (p.28). Em outras palavras, os analistas do mercado financeiro acabam por exercer um papel semelhante aos dos lobbistas por intermédio de suas análises (sic) científicas nas quais se (sic) “demonstra” a necessidade do BC aumentar os juros em 2010 devido às (sic)  pressões inflacionárias latentes na economia brasileira. Sendo assim, vai-se aos pouco preparando a opinião pública para uma elevação da taxa de juros, a qual se torna uma “profecia auto-realizável”.

Analisar o papel dos interesses do mercado financeiro e dos seus analistas “independentes” sobre a permanência dos juros elevados no Brasil, seja por pressão das “expectativas inflacionárias” sobre as decisões do Copom (tal como analiso no capítulo 11 do livro “Política Monetária, Bancos Centrais e Metas de Inflação: teoria e experiência brasileira”) seja por excluir a reforma necessária da arquitetura do sistema financeiro do rol de “reformas microeconômicas” requeridas para a retomada do desenvolvimento da economia brasileira, é um tema interessante de pesquisa para a boa e velha Economia Política (na tradição de Smith, Ricardo e Marx) que trata do papel dos interesses de classe na determinação da distribuição funcional da renda e, portanto, na determinação do ritmo de crescimento econômico de longo-prazo.

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