Em matéria publicada no Jornal O Globo de hoje podemos observar que apesar do dircurso oficial do governo, os gastos de investimento do governo federal continuam patinando. Os gastos de investimento (em valores já atualizados pela inflação do período) passaram de R$ 9,9 bilhões no primeiro semestre de 2008 para R$ 11,2 bilhões no mesmo período de 2009. Um aumento de 13% em termos reais, mas de apenas 0,1% do PIB (de 0,67 para 0,77%). Enquanto isso os gastos com pessoal aumentaram de R$ 69,7 bilhões para 80,2 Bilhões (aumento de 15,06%) e os demais gastos correntes aumentaram de R$ 221,4 bilhões para R$ 325,9 bilhões (aumento de 47,19%).

O governo continua negligenciando o papel estratégico do investimento público para o crescimento de longo-prazo da economia brasileira.  Se o aumento dos gastos correntes é, a principio, tão eficiente quanto o aumento dos gastos de investimento para injetar demanda efetiva na economia e assim combater os efeitos da crise êconômica sobre o Brasil, do ponto de vista do crescimento de longo-prazo são os gastos de investimento que desempenham papel fundamental. Isso porque existem fortes externalidades positivas associadas ao investimento em infra-estrutura de tal forma que (i) o setor privado nunca poderá substituir o setor público na provisão de infra-estrutura na quantidade socialmente necessária ; (ii) a realização desses investimentos, em função dos seus efeitos de spillover, induzem ondas secundárias de investimento privado de tal forma que a taxa global de investimento aumenta mais do que proporcionalmente ao aumento do investimento público, contribuindo assim para aumentar a taxa garantida de crescimento, ou seja, a taxa de crescimento do produto que é compatível com o equilíbrio dinâmico entre oferta e demanda agregada.

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