Fico cada vez mais impressionado com o radicalismo dos jovens estudantes das escolas  ortodoxas de economia no Brasil. No tempo que eu era estudante de graduação, lembro que era comum assistir debates entre Fernando de Holanda Barbosa (EPGE), Edmar Bacha (PUC-Rio) e Calos Lessa (UFRJ) no auditório Pedro Calmon da UFRJ na Praia Vermelha. Lembro que na minha época havia um respeito mútuo entre ortodoxos e heterodoxos apesar das divergências teóricas. Nunca vi nenhum dos meus professores da UFRJ dizer que “o que se ensina na FGV é um lixo”. Aliás na velha UFRJ podiamos ter acesso a todas as escolas de pensamento. Pude fazer Microeconomia I e II com dois economistas de Chicago (Helson Braga e Tulio Duran), Economia Monetária II com o Fábio Giambiagi e Economia Brasileira Contemporânea com o Winston Fritch. Isso na escola que é tida como um dos centros da economia heterodoxa no Brasil. Nunca vi esse pluralismo na FGV ou na PUC. Quando fui fazer mestrado na PUC rio a escola já estava bastante mainstream, tinha deixado de lado a heterodoxia dos tempos do Chico Lopes. Mesmo o Edward Amadeo já estava se tornando ortodoxo.

Eis que hoje entro num blog de uns meninos da PUC-Rio e vejo a seguinte pérola:

 

É, esse caderno do Valor foi deveras idiota.

Alguém quer me ajudar a contar quantos heterodoxos escrevem no Valor e em outros jornais? E comparar com o número de “ortodoxos”?

https://www.blogger.com/comment.g?blogID=3377005419378516677&postID=4105602579135263572

Vou mostrar que o Valor é um jornal plural, ou seja, dá razoavelmente o mesmo espaço para ortodoxos e heterodoxos.

Consideremos os colunistas fixos do Valor, ou seja, aqueles que escrevem uma vez por mês, regularmente, na coluna de opinião do Valor (espaço com foto). Na listagem vou me restringir aqueles que ou tem um perfil teórico bem definido ou escrevem sobre temas que permitem a classificação em um ou outro grupo.  

Temos a seguinte lista:

A) Ortodoxos (9):

Afonso Celso Pastore e Maria Pinotti

Gustavo Loyola

Márcio Garcia

Fábio Giambiagi

Luiz Carlos Mendonça de Barros

Marcelo Neri

Naércio Menezes

Roberto Luiz Troster

B) Heterodoxos (7)

Yoshiaki Nakano

Davi Kupfer

Carlos Lessa

Márcio Pochmann

José Luiz Fiori

José Luis Oreiro  e Luiz Fernando de Paula

Temos um total de 9 economistas nitidamente ortodoxos e 7 economistas  nitidamente heterodoxos. Onde está a hegemonia heterodoxa que os ortodoxos gostam de aleardear que existe no Valor Econômico? Os números mostram que forma inequívoca que o Valor Econômico é um jornal plural. Talvez a razão do descontentamento dos ortodoxos é que não é esse pluralismo que eles querem (uma proporção de 9 para 7), mas quem sabe 15 para 1, ou 30 para 1, ou quem sabe mandar todos os heterodoxos para os campos de extermínio, já que o que eles defendem não pode ser considerado como “Economia” (vejam o post no blog dos meninos da PUC).

Ainda bem que vivemos numa sociedade democrática e plural, onde, espero, as minorias não serão ESMAGADAS pela maioria como desejam nossos jovens ortodoxos, talvez no afã de aquietar sua enorme insegurança psíquica, fruto de sua ignorância daquilo que não esteja no último manual de micro ou macroeconomia lançado nos Estados Unidos.

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