21/07/2009 – 21:07

Real é moeda mais volátil do mundo

http://www.monitormercantil.com.br/mostranoticia.php?id=64764

 

Giannetti: capital entra e sai do país com muita liberdade (Foto: Antonio Cruz/Abr)

 

GIANNETTI DEFENDE CONTROLE DE CAPITAIS PARA REDUZIR INCERTEZA E ACELERAR INVESTIMENTOS

O real foi a moeda mais volátil do mundo entre 2003 e junho deste ano. Especificamente na crise, ocupou o terceiro lugar – entre setembro de 2008 e junho de 2009. É o que mostra estudo da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), apresentado pelo economista Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da entidade.

“Pessoalmente, defendo a adoção de algum tipo de controle de capital no Brasil. Países como Chile, Colômbia e Malásia adotaram limites ao investimento estrangeiro em alguns momentos, seja estabelecendo um prazo ou um imposto”.

Ressalvando que esta não é a posição da Fiesp, que é favorável ao câmbio flexível, Giannetti lembrou que “essas oscilações trazem enorme insegurança, pois os agentes não conseguem fazer um planejamento adequado”.

Na avaliação do economista, esse vaivém ocorre por causa do “viés financeiro que prevalece na economia brasileira hoje”. “Esse capital entra e sai do país com muita liberdade. A estabilidade cambial é tão ou mais importante do que a monetária e cabe ao Banco Central cuidar disso”, afirmou.

Também favorável ao controle de capitais, o economista José Luiz Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB), acrescenta que apenas baixar juros não é suficiente para desestimular a entrada do capital especulativo e a consequente tendência à sobrevalorização cambial.

“Apenas baixar juros é um argumento simplista. Os capitais não entram apenas para a renda fixa, mas também para se aproveitar da valorização na bolsa, pois aqui as ações da Vale, por exemplo, têm valor menor que lá fora”, disse.

Oreiro acrescenta que o controle de capitais deve ser abrangente. “Taxar só a renda fixa permitirá que o mercado financeiro drible os controles. O capital pode ser disfarçado de várias maneiras”, frisou.

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