02/07/2009 – 21:07

 

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 Gastos públicos longe do milagre

Oreiro é cético quanto à eficácia das recentes medidas do governo (Foto: Marcello Casal Jr/Abr) Lula só investiu pouco mais da metade do percentual de gasto na década de 70 “No período do “milagre econômico”, na década de 70, o setor público investia 7% do PIB. Ano passado, que já foi um dos melhores das últimas décadas, esse índice não superou os 3,9%”, comentou o economista José Luís Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB), que se mostrou cético em relação às medidas de estímulo para a economia anunciadas nesta semana pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Oreiro lamenta que as medidas tenham impacto muito maior no consumo do que no investimento. “Sem expectativa de crescimento, o investimento despencou após a falência do Lemon Brothers. O padrão pré-crise de investimento vai demorar a voltar. Essas medidas adotadas pelo governo podem dar algum alento, mas não produzirão um novo ciclo como o de 2007 e o primeiro semestre de 2008”, disse. Oreiro avalia que o país precisaria ter outro padrão de crescimento, algo que, segundo o economista, o governo sequer cogita. O principal item do pacote de medidas foi o da equalização das taxas de juros para investimentos em bens de capital que sejam adquiridos nos próximos seis meses. No caso de financiamento de caminhões, a taxa anual caiu de 13,5% para 4,5%. Além disso, o BNDES anunciou a redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 6,25% para 6% ao ano – a menor taxa da história. “Foram medidas pontuais e não produzirão o efeito esperado. A sinalização precisava ser no sentido de fortalecimento dos fatores internos, puxando a demanda. O melhor seria aumentar significativamente o investimento público, restituindo ao Estado as alavancas para a indução do desenvolvimento”, insistiu o economista da UnB.

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