O jornal Valor Econômico de hoje traz uma série de assuntos  muito interessantes. O primeira refere-se ao debate sobre a fixação da meta inflacionária para 2011. Segundo fontes do governo ouvidas pelo Valor, o Conselho Monetário Nacional deverá manter a meta de inflação inalterada em 4,5% a.a para 2011. A se confirmar esse resultado prevaleceu o bom-senso da equipe do Ministério da Fazenda sobre a “mania desinflacionária” do BCB que atribui valor infinito a reduções da meta inflacionária – por menores que sejam as mesmas – e peso muito baixo ao crescimento de longo-prazo na sua “função objetivo”. Tal como já havíamos afirmado recentemente neste espaço https://jlcoreiro.wordpress.com/2009/05/23/sera-uma-boa-ideia-reduzir-a-meta-de-inflacao-a-partir-de-2011/, os custos de reduções adicionais da meta de inflação no Brasil provavelmente superam os benefícios; ainda mais ao se levar em conta as evidências empíricas segundo as quais o nível de inflação abaixo do qual o crescimento é negativamente afetado com uma redução da taxa de inflação é maior nos países emergentes do que nos países desenvolvidos. Parabéns a equipe do Ministério da Fazenda por não permitir que esse tipo de idéia prosperasse no ceio da equipe econômica do governo.

Dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria mostram que a massa salarial da indústria teve queda de 2,7% em abril e o grau de utilização da capacidade instalada caiu de 79,2% em março para 78,7% em abril. Além disso, o faturamento caiu em 15 dos 19 setores da indústria de transformação com respeito a março do corrente ano. Segundo os economistas da CNI, a indústria já começa a sentir os efeitos da apreciação recente da taxa nominal (e real) de câmbio sobre as exportações de manufaturados, o que pode comprometer a tão esperada retomada da produção industrial no segundo semestre de 2009. Esses dados indicam que se o movimento de apreciação da taxa de câmbio continuar, podemos observar um recrudescimento da crise econômica no Brasil no segundo semestre do ano corrente.

Para lidar com o problema da apreciação cambial os economistas da FIESP – em linha com a posição que temos defendido neste espaço https://jlcoreiro.wordpress.com/2009/05/29/propostas-para-lidar-com-o-problema-da-apreciacao-cambial/ – defende a introdução de controles a entrada de capitais. Segundo Roberto Gianetti da Fonseca – diretor do departamento de Relações Internacionais e de Comércio Exterior  da FIESP – os controles devem se dar na forma de uma “quarentena” sobre os ingressos de capitais especulativos no Brasil. Um dado interessante sobre Gianetti é que ele é o acessor econômico informal do Governador José Serra, pré-candidato do PSDB a Predidencia da República. Esse é um bom sinal que mostra que, se Serra for eleito presidente, o debate sobre controles de capitais não estará interditado no Brasil, como ocorre atualmente em função da covardia do governo de enfrentar os interesses do mercado financeiro, o qual ganha muito dinheiro com a volatilidade da taxa de câmbio que é permitida pelo atual regime de ampla mobilidade da conta de capitais.

Anúncios