Segundo matéria divulgada no Jornal O Globo de hoje (vejam em http://oglobo.globo.com/economia/mat/2009/05/07/na-ata-do-copom-bc-ve-espaco-para-cortes-de-juro-mas-sinaliza-necessidade-de-mudar-regras-da-poupanca-755737586.asp), o Banco Central do Brasil está condicionando a continuidade do ciclo de redução da taxa básica de juros a alteração das regras de poupança.

Tal como venho argumentando de forma sistemática neste blog, em jornais de grande circulação diária (Valor, Jornal do Brasil, etc) e nos debates no congresso nacional, a mudança das regras da caderneta de poupança não é condição sina qua non para a continuidade da queda da Selic. Isso poderia ser feito por intermédio da extinção das LFT´s, o que teria o efeito de desvincular o mercado de reservas bancárias do mercado de títulos da dívida pública. Tal como argumentado de forma pioneira por Fernando de Holanda Barbosa (2006), a existência de títulos selicados com duration zero faz com que as LFT´s se tornem substitutos perfeitos para as reservas bancárias impondo que, em equilíbrio, a taxa de juros prevalecente em ambos os mercados tenha que ser igual. Nesse contexto, a extinção das LFT´s permitiria que a taxa de juros do mercado interbancário se reduzisse significativamente com respeito a taxa de juros do mercado de títulos públicos. A remuneração da caderneta de poupança continuaria dando um piso para o custo de rolagem da dívida pública, mas a política monetária seria liberada da “camisa de força” imposta pela remuneração fixa das cadernetas de poupança.

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