Poupança: C Foto: Tuca Pinheiro Debate sobre mundanças na poupança aconteceu na Câmara dos Deputados. Por: Valéria de Oliveira Economistas e dirigentes do partido apresentaram diversas propostas que evitam que o pequeno poupador seja prejudicado com a queda ou taxação do rendimento da poupança. Um acalorado debate de diferentes visões de economistas da academia e do mercado movimentou o plenário 5 da Câmara dos Deputados nesta terça-feira. Entretanto, no evento promovido pelo PPS, uma coisa ficou clara: existem alternativas a mudanças na remuneração da caderneta de poupança – como quer o governo Lula – para resolver o problema dos fundos de investimentos, que estão perdendo terreno para ela. Tony Volpon, economista-chefe da CM Capital Markets e Flávio Basílio, da UnB, travaram uma discussão em torno da extinção das LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), que atrelam a política monetária à dívida pública e limitam a queda da taxa de juros (tese defendida por Basílio) e uma solução mais liberal, que seria deixar o mercado baixar as taxas de administração dos fundos para conseguir maior competitividade com a poupança, conforme defendeu Volpon. As LFTs integram as remunerações dos Fundos DI. Intervenção Mediador do debate, o presidente do PPS, Roberto Freire, disse que “o governo quer ganhar a batalha da comunicação” no que diz respeito à poupança. Ele lembrou os exageros na reação às inserções gratuitas do PPS na TV, que alertavam para a iminência de uma intervenção na caderneta. “Iríamos, de novo, ser pegos de surpresa”, afirmou, numa referência ao que aconteceu no governo Collor, época do confisco da poupança. “Engraçado é que quando os bancos e os especuladores tinham altos lucros (na bonança do governo Lula) ninguém falava em aumentar o rendimento da caderneta” O economista José Luiz Oreiro, também da UnB, é partidário de mudanças macroeconômicas, e relembra que o debate sobre as LFTs é antigo. Afonso Celso Pastore é um dos que defende sua extinção. “O efeito de contaminação da política monetária pela dívida pública faz com que a taxa de juros no Brasil seja estupidamente elevada”, analisa. Ele explica que quando um país tem uma anomalia precisa buscar as razões dela para encontrar soluções. “Temos um dos juros mais altos do mundo e um spread bancário muito maior do que o da Colômbia ou da Rússia, onde existe um semiczar; uma das anomalias é a LFT”, diz Oreiro. Debate de economistas O momento mais “quente” do debate foi a defesa, franca e aberta das posições por Volpon e Basílio. “O governo diz: vamos mexer na poupança; eu digo: vamos acabar com a LFT”, afirmou Basílio. Com uma visão mais ligada ao mercado, Volpon argumentou que essa atitude significaria uma quebra de contrato, uma insegurança jurídica, da qual padeceu a economia brasileira na década de 80, quando foram editados planos econômicos heterodoxos. Flávio propôs que apenas as LFTs que estavam no mercado sobrevivessem e que o governo não editasse mais nenhuma. Lembrou, ainda, que a poupança também é um contrato, e o governo pretende mudá-lo. Antes, porém, provocou: “O mundo inteiro está sendo heterodoxo; por que só nós vamos ser ordodoxos?”. Volpon duvidou da importância da medida relacionada às LFTs, questionando por que, então, o governo não comprava as existentes com uma boa proposta ao mercado, se isso era tão fundamental para a queda dos juros que pretende continuar a empreender. Disse, também, que o mercado é capaz de criar LFTs sintéticas, com a junção de LTNs (Letras do Tesouro Nacional) e swaps (contratos de troca, seja de moeda, de taxa de juros ou commodities). “Se o mercado cria, por que o governo precisa oferecer?”, perguntou Basílio. O economista da UnB disse que é preciso restituir o papel institucional do Banco Central, que é o de determinar a taxa de remuneração diária do mercado interbancário, e tirar dele a parcela de responsabilidade pela dívida pública, que lhe foi agregada com as LFTs (que representam atualmente 38% da dívida). Esse poder, explicou, deve ser do Tesouro Nacional.

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