Dados divulgados hoje no jornal O Globo mostram a triste realidade da ineficiência do governo federal. Enquanto o orçamento federal de investimento para 2009 é de R$ 48,8 bilhões, apenas 7,5% do total previsto (R$ 3,674 bilhões) foi executado nos primeiros três meses de 2009, incluindo os restos a pagar de anos anteriores. Se considerarmos apenas as despesas no ano corrente, a execução cai para míseros R$ 359 milhões, ou seja, 0,7% da dotação total. Mantido esse ritmo os gastos de investimento do governo federal irão chegar a pouco mais de R$ 15 bilhões em 2009, uma cifra absolutamente insuficiente para se lidar com os efeitos da crise econômica internacional sobre o Brasil. Isso porque o investimento público precisa aumentar de forma significativa em 2009 apenas para contrabalançar (parcialmente) a forte queda das exportações em função da recessão mundial. As previsões para este ano apontam para exportações em torno de US$ 160 bilhões, ou seja, uma queda de mais de 15 % com respeito ao ano anterior.  Isso significa uma queda de cerca de R$ 60 bilhões na demanda agregada autônoma !!! Daqui se segue que se o investimento público não apresentar um forte incremento com respeito ao ano de 2008, haverá uma nova rodada de contração da demanda agregada autônoma, fazendo com que o nível de produção e emprego sofra uma retração ao longo do ano de 2009. Se somarmos a essa contração prevista da produção, o efeito “carry-over” negativo de -1,5% do PIB do ultimo trimestre de 2008, é bem possível que a economia brasileira apresente uma contração superior a 2,5% em 2009 relativamente a 2008. Isso significaria uma queda de quase 4% no PIB per-capita brasileiro em apenas um ano (considerando um crescimento populacional da ordem de 1,5% a.a.) .

O governo precisa urgentemente acelerar o ritmo de execução do orçamento de investimento sob pena de permitir a ocorrência da maior queda do PIB nos ultimos 20 anos ou mais. Esta será a prova de fogo da atual administração federal.

O Brasil possui os instrumentos necessários para lidar com a crise: situação externa confortável (reservas internacionais elevadas, déficit em conta corrente relativamente baixo e financiável com o IED esperado para 2009, câmbio “ajustado”) ,  posição fiscal sólida (DLSP baixa como proporção do PIB), setor financeiro público e privado sólido, sem problemas de insolvência generalizada. Se houver uma contração dessa ordem no PIB a culpa será apenas do governo federal (BCB inclusive, mas já discutimos isso anteriormente). Nesse caso a oposição poderá eleger tranquilamente o seu candidato, em primeiro turmo, nas eleições de 2010.

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