07/04/2009 – 20:04

País é o paraíso da agiotagem com sotaque “gringo”

 

Bancos estrangeiros cobram aqui juros até 10 vezes maiores que em seus países

O juro real anual cobrado por um banco estrangeiro no Brasil é até dez vezes maior do que ele pratica no exterior, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Na primeira semana de abril, o HSBC, por exemplo, cobrava juros 63,42% ao ano para empréstimos pessoais, enquanto o mesmo banco, no Reino Unido, onde fica sua sede, a taxa era de 6,60% ao ano.

Já o Santander, no mesmo período, exigia 55,74% ao ano aqui e 10,81% ao ano, na Espanha. Ainda segundo o estudo, o Citibank oferecia taxas de 7,28% ao ano nos Estados Unidos, contra 60,84% ao ano no Brasil.

O Ipea chamou a atenção, sobretudo, para a concentração bancária, agravada em períodos de crise: “Somente entre 1996 e 2006, a participação dos 20 maiores bancos no total de ativos aumentou 20%, de 72% para mais de 86%.”

Com isso, o número de bancos encolheu 32,2% nos últimos 11 anos. Em 2007, o país tinha 156 instituições, contra 2.130 da Alemanha 2.130 e 7.282 dos EUA.

Boa parte desse processo se deve às privatizações de bancos públicos ou medidas restritivas aos investimentos dessas instituições: “Com a queda na quantidade de bancos públicos (59,4%) e privados (27,8%) entre 1996 e 2007, houve crescimento de bancos privados estrangeiros (36,6%)”, diz o Ipea, denunciando que a principal fase de redução da presença dos bancos públicos no Brasil ocorreu entre 1995 e 2001.

“Essa concentração irá se traduzir no aumento do poder de mercado dos bancos, levando-os a extorquir seus clientes na forma de tarifas bancárias mais elevadas e maiores spreads, contribuindo para aumentar o já elevado custo do capital na economia brasileira”, resume o economista José Luis Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB).

Anúncios